Deslizamentos, enchentes e colapsos devastam cidades mineiras; autoridades mantêm alerta para risco de novos desastres
A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou neste domingo, 1º de março, que os temporais da última semana deixaram 72 mortos na Zona da Mata. As chuvas intensas provocaram deslizamentos de terra, enchentes e colapsos de imóveis em Juiz de Fora e Ubá, mobilizando equipes de resgate em operações contínuas.
Entre as vítimas, estão pessoas soterradas e outras arrastadas pela força das águas. Em Ubá, uma pessoa segue desaparecida, enquanto em Juiz de Fora o último corpo foi localizado no sábado, encerrando as buscas na cidade.
Juiz de Fora: 65 mortos e milhares de desalojados
O município de Juiz de Fora registrou 65 mortes, incluindo 15 crianças e adolescentes. Três corpos ainda aguardam perícia e identificação. O último desaparecido, Pietro Cesar Teodoro Freitas, de 9 anos, foi encontrado no bairro Paineiras.
“As operações contaram com equipes em campo dia e noite, apoio de cães de busca, drones e monitoramento constante das áreas atingidas”, destacou o tenente Henrique Barcellos, porta-voz do Corpo de Bombeiros.
Mais de 500 pessoas permanecem em abrigos públicos, enquanto outras 8 mil estão desalojadas em casas de parentes ou amigos. O Instituto Nacional de Meteorologia apontou que fevereiro de 2026 foi o mês mais chuvoso dos últimos anos, com acumulado de 229,9 mm em apenas três dias, superando a média mensal de 170,3 mm.
Ubá: sete mortos e buscas em andamento
Em Ubá, foram confirmadas sete mortes, todas de adultos. Uma vítima continua desaparecida. Até agora, 145 pessoas foram resgatadas com vida, e há 732 desalojados e 26 desabrigados.
Apesar da redução das chuvas no fim de semana, autoridades mantêm alerta. “Temos os morros ainda encharcados e fraturados. Assim, é muito importante que a população entenda que o risco permanece”, afirmou o tenente-coronel Wenderson Duarte Marcelino, da Defesa Civil.
Juiz de Fora: cidade vulnerável a tragédias
Com relevo acidentado e cursos d’água em áreas urbanas, Juiz de Fora figura entre os municípios brasileiros com maior população em áreas de risco. Segundo o Cemaden, cerca de 130 mil moradores vivem em locais suscetíveis a deslizamentos e enchentes — quase um quarto da população de 540 mil habitantes.
O histórico de enchentes e deslizamentos se repete, agravado pelo Rio Paraibuna, que corta a cidade e margeia a Avenida Brasil, principal via urbana. O município decretou estado de calamidade pública diante da dimensão da tragédia.



