Embarcação com 15 ocupantes colide contra píer no Rio Grande; entre as vítimas estão uma mãe e seu filho de 4 anos. Investigações apontam falta de habilitação do condutor e ausência de iluminação no local do impacto
A noite deste sábado (21/02) foi marcada por um dos acidentes náuticos mais graves da história recente na região da represa do Rio Grande, na divisa entre Rifaina (SP) e Sacramento (MG). Uma lancha que transportava 15 pessoas chocou-se violentamente contra a estrutura de um píer, resultando na morte de seis passageiros. O cenário de festa deu lugar a uma operação de resgate dramática que mobilizou o Corpo de Bombeiros de ambos os estados.
A dinâmica da colisão e o perfil das vítimas
O grupo, composto por moradores da cidade de Franca (SP), retornava de um estabelecimento flutuante em direção a um rancho quando o acidente ocorreu, por volta das 23h. Com o impacto contra a estrutura de madeira e concreto, a embarcação adernou, lançando os ocupantes na água.
As vítimas fatais identificadas são:
- Wesley Carlos da Costa (45): Apontado como o condutor da lancha;
- Viviane Aredes (35) e seu filho Bento Aredes (4): Mãe e criança que não resistiram ao impacto e afogamento;
- Juliana Fernanda de Oliveira (41), Erika Fernanda Leal (41) e Marina Rodrigues (22): Passageiras que completavam o grupo de vítimas.
Negligência e fatores de risco
As autoridades começam a traçar as causas da tragédia, e os primeiros dados são alarmantes. Segundo o Corpo de Bombeiros, o condutor Wesley Carlos não possuía a habilitação de Arrais-Amador, documento obrigatório para operar embarcações de lazer. Além disso, a perícia inicial e relatos de sobreviventes sugerem um “apagão” de segurança: o píer atingido estaria completamente sem iluminação, tornando-se um obstáculo invisível na escuridão da represa.
Pontos críticos sob investigação:
- Superlotação: A lancha transportava 15 pessoas; a perícia técnica vai determinar se o número excedia a capacidade máxima do fabricante.
- Equipamentos de Salvatagem: Informações preliminares indicam que apenas três das seis vítimas fatais utilizavam coletes salva-vidas no momento da colisão.
- Velocidade: O dano estrutural na proa da lancha sugere que a navegação ocorria em velocidade incompatível para o horário noturno.
Resgate e sobrevivência
Nove pessoas conseguiram se salvar, algumas nadando até a margem e outras resgatadas por embarcações que passavam pelo local logo após o estrondo. Três feridos foram levados ao pronto-socorro de Rifaina com escoriações e quadros de hipotermia leve, mas já receberam alta.
A Marinha do Brasil instaurou um Inquérito Administrativo sobre Fatos e Acidentes de Navegação (IAFN) para apurar responsabilidades. Paralelamente, a Polícia Civil de Minas Gerais investigará o caso sob a ótica criminal, avaliando possíveis omissões dos proprietários do rancho e do píer.

