Revista britânica aponta idade avançada, críticas à condução econômica e ausência de sucessor como fatores que tornam a reeleição arriscada; publicação também destaca Tarcísio de Freitas como principal nome da direita para 2026
Um artigo publicado nesta terça-feira (30) no site da revista The Economist afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deveria concorrer novamente à Presidência da República. Segundo a publicação, a idade do chefe do Executivo — que completa 80 anos — é um fator central para o debate, ao lado de questões relacionadas à saúde, ao legado político e ao cenário eleitoral de 2026.
De acordo com a revista, apesar da reconhecida habilidade política de Lula, manter um presidente nessa faixa etária no cargo por mais quatro anos representaria um risco elevado para o país. O texto argumenta que carisma e experiência não eliminam preocupações ligadas ao envelhecimento e ao desempenho cognitivo.
Comparação com Joe Biden e alertas sobre saúde
A análise traça um paralelo entre Lula e o ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, que enfrentou forte desgaste público ao disputar a eleição de 2024 aos 81 anos. Para a The Economist, o caso americano serve de alerta.
Embora reconheça que Lula aparenta estar em melhores condições físicas do que Biden à época, a revista lembra episódios recentes de saúde. Em dezembro de 2024, o presidente brasileiro passou por uma cirurgia cerebral após um acidente doméstico. Caso cumpra integralmente um novo mandato, Lula chegaria aos 85 anos ao deixar o cargo, destaca a publicação.
Confronto com Trump e força eleitoral
O texto também relembra os embates políticos entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao longo de 2025, sobretudo após Trump impor tarifas a produtos brasileiros sob alegações consideradas falsas pela revista. Segundo a análise, Lula conseguiu reagir politicamente e reverter parte das medidas, o que fortaleceu sua posição interna.
Na avaliação da The Economist, um eventual quarto mandato consolidaria Lula como o político mais bem-sucedido da democracia brasileira desde o fim do regime militar, em 1985. Ainda assim, a revista pondera que, apesar da preservação institucional recente, o eleitorado brasileiro “merece alternativas melhores”.
Críticas à política econômica e ao histórico de corrupção
O artigo também retoma críticas recorrentes ao presidente, incluindo os escândalos de corrupção associados aos seus dois primeiros mandatos, que, segundo a revista, ainda pesam sobre sua imagem e dificultam a reconciliação com parte do eleitorado.
Na área econômica, a publicação reconhece o crescimento recente do país, mas classifica as políticas do governo como pouco ambiciosas. A crítica central recai sobre o foco em programas de transferência de renda e no aumento da carga tributária, considerado desfavorável ao ambiente de negócios, apesar de avanços pontuais, como a reforma para simplificação do sistema de impostos.
Falta de sucessor no campo progressista
Outro ponto destacado é a ausência de um nome competitivo no campo da centro-esquerda. A The Economist afirma que Lula, assim como Biden nos Estados Unidos, não investiu na construção de uma sucessão política.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é citado como possível herdeiro político, mas teria sido descartado por falta de apelo popular. Prefeitos mais jovens e lideranças de outros partidos progressistas até aparecem no radar, mas, segundo a revista, não possuem força suficiente para ameaçar a hegemonia de Lula.
Para a publicação, uma eventual decisão de não concorrer permitiria uma disputa mais equilibrada e contribuiria para preservar o legado do presidente.
Disputa na direita e o nome de Tarcísio
No campo conservador, a The Economist afirma que há uma corrida aberta para substituir Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos de prisão, mas ainda mantém influência política, especialmente entre eleitores evangélicos.
A revista considera pouco viável a candidatura do senador Flávio Bolsonaro, apontado como impopular e sem chances reais contra Lula. Em contrapartida, destaca o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como o nome mais forte da direita no momento.
Segundo o texto, Tarcísio apresenta desempenho melhor em pesquisas de intenção de voto e reúne características que o diferenciam do bolsonarismo clássico, como postura institucional e perfil considerado mais moderado. A idade — 50 anos — também é citada como um diferencial relevante.
Apelo por renovação democrática em 2026
A conclusão da The Economist defende que a eleição de 2026 seja marcada por uma disputa efetiva entre candidatos novos e competitivos. Embora reconheça que é improvável que Lula abra mão da candidatura, a revista sugere que partidos de direita se reorganizem em torno de um nome capaz de romper a polarização dos últimos anos.
Segundo o artigo, um candidato de centro-direita comprometido com redução da burocracia, preservação ambiental, combate ao crime com respeito às liberdades civis e defesa do Estado de Direito teria condições tanto de vencer a eleição quanto de governar o país de forma estável.



