Reunião autorizada por Alexandre de Moraes ocorre em unidade da PM no DF e é tratada publicamente como gesto pessoal, mas cenário de 2026 segue no pano de fundo
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), realiza nesta quinta-feira uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”. O encontro, previsto para ocorrer entre 11h e 13h, teve autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e acontece após um episódio de desgaste político envolvendo declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A reunião substitui uma tentativa anterior de encontro, cancelada na semana passada em meio a desconfortos gerados por manifestações públicas do filho do ex-presidente sobre o teor da conversa.
Declaração pública gerou mal-estar
O impasse começou quando Flávio Bolsonaro afirmou que o pai diria a Tarcísio que sua prioridade deveria ser a reeleição ao governo paulista, afastando a possibilidade de uma candidatura presidencial do governador. A fala foi recebida por aliados de Tarcísio como uma exposição desnecessária e como tentativa de delimitar, de forma pública, o espaço político do chefe do Executivo paulista.
A avaliação, entre interlocutores do governador, foi de que a declaração elevou o custo político de uma agenda que vinha sendo tratada como de caráter pessoal, além de reforçar a interpretação de que o encontro poderia ser explorado como sinal de alinhamento automático a um projeto nacional associado ao entorno de Bolsonaro.
Poucas horas depois da repercussão, Tarcísio cancelou a visita sob a justificativa oficial de compromissos em São Paulo. Nos bastidores, porém, o desconforto com a repercussão e com o tom das declarações foi apontado como fator decisivo.
Mudança de discurso no entorno de Flávio
Após o episódio, o discurso de Flávio Bolsonaro foi suavizado. O senador passou a classificar a reunião como uma conversa informal, sem conotação eleitoral direta. A estratégia foi interpretada como tentativa de reduzir o desgaste e afastar a percepção de que o encontro serviria para tratar de cenários presidenciais.
— Meu pai vai gostar muito de receber Tarcísio lá. Acho que vai ser bom eles baterem papo. Vai ser mais um papo entre amigos. Se depender de mim, a direita vai estar unida — afirmou ao GLOBO.
Gesto de distensão, mas 2026 segue em aberto
A leitura predominante nos bastidores é de que a visita desta quinta-feira funciona como um gesto de reaproximação após o ruído político da semana anterior. Ainda assim, não elimina as incertezas sobre o papel de Tarcísio na reorganização do campo conservador para as eleições de 2026.
O governador tem reiterado publicamente que seu foco está na disputa pela reeleição em São Paulo e evita assumir compromissos adicionais no plano nacional. A postura é vista como tentativa de preservar margem de manobra e evitar envolvimento prematuro na corrida presidencial.
Bolsonaro mantém centralidade na direita
O encontro ocorre em um momento em que Jair Bolsonaro, mesmo preso, continua sendo referência política para lideranças do campo conservador. A sequência de pedidos de visita de aliados é interpretada como movimento de reposicionamento e de demonstração de lealdade, em meio a uma fase de rearranjo interno da direita.
No PL, o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, tem defendido que as decisões estratégicas sobre 2026 passem pelo aval do ex-presidente. Dentro desse contexto, o coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, também recebeu autorização para visitá-lo no próximo dia 4, reforçando a articulação em torno do núcleo bolsonarista.



