Corte reconhece atuação como mandantes do crime que abalou o país; penas somam mais de sete décadas de prisão
O Supremo Tribunal Federal condenou os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão a 76 anos de prisão cada um pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, mortos a tiros em março de 2018, no centro do Rio de Janeiro.
A decisão foi proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que analisou a participação dos réus como mandantes do crime. Segundo o entendimento da Corte, ficou comprovado que os irmãos tiveram papel determinante na articulação do atentado que resultou na morte da parlamentar e de seu motorista.
O julgamento marca um dos desdobramentos mais relevantes do caso, que se tornou símbolo da luta contra a violência política no país e mobilizou instituições nacionais e organismos internacionais desde a execução.
Crime com repercussão internacional
Marielle Franco, então vereadora pelo PSOL, era conhecida pela atuação em defesa dos direitos humanos e por críticas a abusos cometidos por agentes de segurança pública. O assassinato, ocorrido após um evento na região central do Rio, provocou protestos em diversas cidades brasileiras e no exterior.
Ao longo das investigações, conduzidas por forças estaduais e federais, o caso passou por diferentes fases até chegar ao núcleo político apontado como responsável pela ordem do crime. A denúncia sustentou que os irmãos Brazão agiram como mandantes, articulando a execução por motivos ligados a interesses políticos e territoriais.
Com a condenação, o STF fixou penas que somam 76 anos de reclusão para cada um, considerando os crimes de homicídio qualificado e outros delitos relacionados ao atentado.
Desfecho e próximos passos
A defesa ainda pode apresentar recursos dentro do próprio tribunal. Especialistas avaliam que a decisão reforça o entendimento de que crimes com motivação política e atentados contra representantes eleitos terão resposta institucional rigorosa.
O caso Marielle e Anderson tornou-se um marco no debate sobre violência política, atuação de milícias e proteção de agentes públicos no Brasil. A condenação dos irmãos Brazão representa um novo capítulo no processo de responsabilização criminal iniciado há quase oito anos.

