Descarga atmosférica durante manifestação no último domingo (25/01) deixou 89 feridos; vítimas relatam momentos de pânico e paralisia momentânea
O que deveria ser um ato político na Praça do Cruzeiro, em Brasília, transformou-se em um cenário de emergência médica na tarde deste domingo (25 de janeiro de 2026). Uma forte tempestade, acompanhada de uma descarga atmosférica de grande intensidade, atingiu o local por volta das 12h50, atingindo dezenas de manifestantes. Entre os relatos de sobreviventes, predomina a sensação de choque e o alívio por não haver registros de vítimas fatais.
“Eu não sentia minhas pernas”: o relato das vítimas
A monitora escolar Patrícia Rosa descreveu o momento exato da descarga como um divisor de águas em sua vida. Atingida enquanto participava do ato, ela sofreu dormência severa e marcas físicas.
“Eu pensei que ia morrer. Pensei nos meus filhos, na minha mãe e no meu esposo. Foi um estrondo e caí no chão sem conseguir movimentar o corpo. Eu não sentia minhas pernas”, relatou Patrícia, que ainda apresenta zumbido no ouvido e dores no quadril.
Outro manifestante, Hélio Reinaldo, sentiu o impacto de forma indireta ao segurar uma estrutura metálica. Ele relatou um formigamento intenso nos dedos que durou cerca de 15 minutos. Para ele, o perigo era visível: “Era uma área muito descampada e o tempo estava fechando”, observou.
Balanço dos atendimentos e estado de saúde
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) realizou uma operação de triagem rápida no local. O volume de atingidos mobilizou diversas unidades de resgate.
| Destino/Status | Quantidade de Pessoas | Observações |
| Atendidos e liberados no local | 42 | Sem necessidade de hospitalização. |
| Encaminhados para Hospitais | 47 | Levados ao Hospital de Base e HRAN. |
| Casos de maior cuidado | 11 | Exigiram monitoramento neurológico/cardíaco. |
| Óbitos registrados | 0 | Nenhuma morte confirmada até o momento. |
Até o último boletim do Hospital de Base, 18 das 27 pessoas que deram entrada na unidade já receberam alta. Outros nove pacientes permanecem em observação para garantir que não haja arritmias cardíacas tardias, um risco comum após choques desta magnitude.
Prevenção: o que fazer em tempestades?
A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros reforçaram as diretrizes de segurança, especialmente em áreas abertas como o Eixo Monumental:
- Busque abrigo imediatamente: Evite áreas descampadas, como praças e campos de futebol.
- Distância de metais: Afaste-se de cercas, postes, torres e estruturas metálicas (como palcos ou mastros).
- Dentro de casa: Desligue eletrônicos das tomadas e evite o uso de chuveiros elétricos ou telefones fixos com fio.
- Alertas via SMS: O cidadão pode cadastrar seu CEP enviando uma mensagem para o número 40199 para receber avisos de tempestades iminentes.
A ciência por trás do fenômeno
Segundo o INPE, a chance de uma pessoa ser atingida diretamente por um raio é de aproximadamente $1 : 1.000.000$. No entanto, em eventos de massa em áreas urbanas — que funcionam como “ilhas de calor” — o risco de descargas indiretas (por condução no solo ou estruturas próximas) aumenta consideravelmente. A corrente elétrica pode causar desde queimaduras superficiais até danos neurológicos permanentes.



