Delegações se reúnem em Islamabad em meio a tensões e exigências por cessar-fogo
Encontro marcado pela cautela
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, desembarcou em Islamabad para liderar a delegação americana nas negociações com autoridades iranianas sobre a guerra em curso. A comitiva inclui o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e o conselheiro Jared Kushner. O grupo foi recebido pelo chanceler paquistanês Ishaq Dar, pelo chefe do Exército, Asim Munir, e pelo ministro do Interior, Mohsin Naqvi.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão destacou o compromisso norte-americano com a paz e a estabilidade duradoura, acrescentando que espera que as partes “se engajem construtivamente”.
Posição iraniana
A delegação iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, chegou ao Paquistão na noite de sexta-feira (10). Antes de embarcar, Vance advertiu Teerã a não “brincar com os EUA”. Poucas horas depois, Qalibaf condicionou as conversas a um cessar-fogo israelense no Líbano e à liberação de ativos iranianos bloqueados.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reforçou a postura cautelosa ao afirmar que o país entra nas negociações com “profunda descrença” e alertou que reagirá em caso de ataque.
Apoio regional
Autoridades regionais informaram, sob anonimato, que representantes do Egito, Arábia Saudita, China e Catar estão em Islamabad para atuar como facilitadores indiretos. A TV estatal iraniana relatou que Qalibaf se reuniu com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif, que classificou o momento como “vai ou racha” diante da escalada do conflito.
Enquanto isso, a capital paquistanesa enfrenta clima de tensão: ruas desertas, bloqueios militares e recomendações para que a população permaneça em casa, em cenário semelhante a um toque de recolher.
Israel e Líbano
Paralelamente, o gabinete do presidente libanês Joseph Aoun anunciou que negociações entre Israel e Líbano terão início na terça-feira (14), em Washington. Israel pressiona para que o governo libanês assuma a responsabilidade de desarmar o Hezbollah, conforme previsto no cessar-fogo de novembro de 2024.
No entanto, pairam dúvidas sobre a capacidade do exército libanês em confiscar as armas do grupo militante, que há décadas resiste a medidas de contenção. A insistência israelense em manter a ofensiva contra o Hezbollah, mesmo durante a trégua com o Irã, ameaça inviabilizar o acordo.
No dia em que a trégua foi anunciada, ataques aéreos israelenses em Beirute deixaram mais de 300 mortos, segundo o Ministério da Saúde do Líbano, ampliando a desconfiança sobre a efetividade das negociações.



