Silvinei foi detido no aeroporto de Assunção com passaporte falso e teve a prisão preventiva decretada após romper tornozeleira eletrônica
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques foi preso nesta sexta-feira (26) no Paraguai, ao tentar deixar o país em um voo internacional com destino a El Salvador. A detenção foi realizada no aeroporto de Assunção, após autoridades paraguaias identificarem o uso de um passaporte falso. A informação foi confirmada pela Polícia Federal brasileira.
Condenado neste mês a 24 anos e seis meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), Vasques é apontado como integrante de um dos núcleos da articulação golpista associada ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Tentativa de fuga e prisão preventiva
De acordo com a Polícia Federal, Silvinei Vasques rompeu a tornozeleira eletrônica que utilizava em Santa Catarina e, na sequência, teria seguido de carro até o Paraguai. O rompimento do dispositivo de monitoramento levou a PF a acionar o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, que determinou a prisão preventiva.
Apesar de já condenado, Vasques permanecia em liberdade por estar dentro do prazo legal para apresentação de recursos. Ele havia deixado a prisão em 2024, sob medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de portar passaporte, que estava formalmente cancelado.
Extradição ao Brasil
Integrantes do governo brasileiro afirmam que a expectativa é de que Silvinei Vasques seja trazido ao país no menor prazo possível. Após a prisão, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, entrou em contato telefônico com o ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera Escudero, com o objetivo de agilizar os trâmites para a extradição.
A defesa informou que tomou conhecimento da prisão na manhã desta sexta-feira. Segundo o advogado Eduardo Nostrani, que atua no Brasil, a representação jurídica de Vasques no Paraguai está sob responsabilidade de um advogado local, ainda não identificado publicamente.
Condenação e penas impostas
Silvinei Vasques foi condenado a 24 anos e seis meses de pena, sendo 22 anos de reclusão em regime inicial fechado e dois anos e seis meses de detenção, além do pagamento de 120 dias-multa. Cada dia-multa corresponde ao valor de um salário mínimo vigente à época da condenação.
Acusações e outros condenados
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-diretor da PRF integrou um grupo de auxiliares próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro que ocupavam cargos estratégicos e atuaram para viabilizar uma ruptura institucional. Além de Vasques, também foram condenados no mesmo núcleo Filipe Martins, ex-assessor internacional da Presidência; Marcelo Costa Câmara, ex-assessor presidencial; Marília Ferreira, ex-integrante do Ministério da Justiça; e Mário Fernandes, general da reserva e ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência.
Os réus foram responsabilizados por cinco crimes: tentativa de abolição do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.



