Nova medida do Banco Central obriga instituições financeiras a compartilhar dados de transações suspeitas em tempo real para asfixiar contas de laranjas
A partir desta segunda-feira (02/02), o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro entra em uma nova fase de segurança. Por determinação do Banco Central (BC), todas as instituições financeiras que operam o Pix passam a utilizar um mecanismo de rastreamento interligado. O objetivo é criar um bloqueio coordenado contra crimes de fraude, estelionato e os chamados “sequestros do Pix”.
Com a mudança, o histórico de uma transação considerada suspeita poderá ser acompanhado em toda a cadeia bancária, dificultando a dispersão do dinheiro roubado entre múltiplas contas.
Como funciona o rastreamento unificado
Até então, o rastreio de valores dependia de solicitações individuais e processos burocráticos entre o banco da vítima e o banco do fraudador. Com a nova regra, o sistema torna-se proativo:
- Compartilhamento Automático: Assim que um banco identifica uma transação com indícios de golpe, as informações sobre a conta recebedora são compartilhadas instantaneamente com todo o sistema financeiro através do Mecanismo Especial de Devolução (MED) aprimorado.
- Marcação de Chaves: Chaves Pix vinculadas a CPFs ou CNPJs sinalizados como “suspeitos” ou “fraudulentos” serão bloqueadas para novas transações de forma coordenada em qualquer banco onde o golpista tenha conta.
- Bloqueio de Contas de Passagem: O sistema agora foca nas “contas laranjas”, rastreando para onde o dinheiro foi transferido após o primeiro envio, permitindo o bloqueio cautelar de várias camadas da rede criminosa.
O fim das “Contas de Aluguel”
Uma das maiores dificuldades da polícia e dos bancos era a rapidez com que os criminosos pulverizavam o dinheiro. Em questão de minutos, um valor roubado era dividido em dez contas diferentes.
- Visibilidade Total: Agora, o Banco Central consegue enxergar o fluxo completo do dinheiro, independentemente de quantas instituições ele percorra.
- Responsabilidade dos Bancos: As instituições que facilitarem a abertura de contas com documentos falsos ou não agirem sobre alertas de fraude poderão ser responsabilizadas de forma mais severa.
- Segurança para o Usuário: Para o cidadão comum, a mudança não altera a forma de usar o Pix, mas aumenta drasticamente as chances de recuperação do valor caso o golpe seja reportado imediatamente.
Dicas para proceder em caso de golpe
Mesmo com o rastreamento aprimorado, a agilidade da vítima continua sendo o fator determinante para o sucesso da recuperação do dinheiro:
- Acione o MED: Dentro do aplicativo do seu banco, utilize a opção de “Reportar Infração” ou “Mecanismo Especial de Devolução”.
- Boletim de Ocorrência: O registro policial é essencial para que o rastreamento tenha validade jurídica para o bloqueio permanente das contas envolvidas.
- Rapidez: O bloqueio coordenado funciona melhor se acionado nos primeiros 30 minutos após a transação.
“O objetivo é tornar o crime de Pix inviável economicamente, já que o dinheiro passará a ser ‘queimado’ e recuperado antes mesmo de o criminoso conseguir sacá-lo”, afirmam especialistas em segurança digital.



