Lançamento ocorreu na madrugada desta sexta-feira e deixou mortos, feridos e danos em infraestrutura crítica
A Rússia afirmou ter empregado o míssil hipersônico Oreshnik em um ataque contra a Ucrânia na madrugada desta sexta-feira (9), alegando que a ação foi uma resposta a uma suposta tentativa ucraniana de atingir uma das residências do presidente Vladimir Putin no fim de dezembro. Kiev rejeitou a acusação, assim como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que também desacreditou a versão apresentada por Moscou.
Autoridades ucranianas confirmaram a ofensiva, informando que o ataque ocorreu no oeste do país, próximo à fronteira com a União Europeia.
Míssil hipersônico volta a ser usado
Esta foi a segunda vez que a Rússia declarou ter utilizado o Oreshnik, um míssil de alcance intermediário que, segundo Putin, é impossível de interceptar devido à velocidade superior a dez vezes a do som. O Kremlin sustenta ainda que o poder destrutivo da arma se aproxima do de um artefato nuclear, mesmo quando equipada com ogiva convencional, como teria ocorrido nesta sexta-feira.
O armamento foi empregado pela primeira vez em novembro de 2024, contra a cidade de Dnipro, no centro da Ucrânia, sob a justificativa de destruir uma fábrica militar. Na ocasião, fontes ucranianas afirmaram que o míssil transportava ogivas falsas e provocou danos limitados.
Alvos e justificativas de Moscou
O Ministério da Defesa da Rússia declarou que os ataques tiveram como alvo uma infraestrutura crítica, incluindo uma fábrica de drones supostamente ligada à alegada tentativa de ataque à residência presidencial russa, além de instalações do setor energético. Moscou informou ainda ter utilizado drones de ataque e armas de longo alcance lançadas por terra e mar, afirmando que “todos os alvos foram atingidos”.
A ofensiva ocorre em meio ao agravamento das tensões entre Rússia e Estados Unidos, após críticas do Kremlin à apreensão de um petroleiro russo no Atlântico Norte e diante de sinais de apoio de Trump a um novo pacote de sanções contra Moscou.
A Alemanha condenou o lançamento do míssil hipersônico. Um porta-voz do governo em Berlim afirmou que a Rússia “continua a agravar a situação sem provocação” e acrescentou que a justificativa apresentada por Moscou já foi refutada.
Números da ofensiva aérea
Segundo a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia lançou 36 mísseis e 242 drones durante a noite e a madrugada. As defesas ucranianas afirmam ter abatido ou neutralizado 18 mísseis e 226 drones, com registros de impactos em 19 locais.
De acordo com o comunicado, foram disparados 13 mísseis balísticos Iskander-M/S-400 da região russa de Bryansk, 22 mísseis de cruzeiro Kalibr a partir do Mar Negro e um míssil balístico de médio alcance Oreshnik do campo de testes de Kapustin Yar, na região de Astrakhan.
Os drones, dos tipos Shahed, Gerbera e outros modelos, partiram das regiões russas de Kursk, Oryol, Milerovo e Primorsko-Akhtarsk, além de pontos na Crimeia anexada em 2014 e no território ucraniano ocupado de Donetsk.
Danos em Lviv e Kiev
O governador da região de Lviv, Maksym Kozytskyi, informou que uma instalação crítica foi atingida. Veículos de imprensa locais apontaram um depósito subterrâneo de gás na cidade de Stryi como alvo provável.
Em Kiev, o ataque deixou quatro mortos e ao menos 22 feridos, segundo autoridades municipais. Entre as vítimas está um socorrista, e outros cinco agentes ficaram feridos durante as operações de resgate. Diversos bairros registraram danos, com drones atingindo prédios residenciais e provocando interrupções no fornecimento de água e energia, conforme relatou o prefeito Vitali Klitschko.
Apelo por reação internacional
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, pediu uma resposta rápida da comunidade internacional. “É necessária uma reação clara do mundo. Acima de tudo, dos Estados Unidos, cujos sinais a Rússia realmente leva em consideração”, escreveu nas redes sociais. “A Rússia deve entender que precisa se concentrar na diplomacia e sentir as consequências sempre que optar por assassinatos e destruição de infraestrutura.”
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, anunciou que o país buscará ações imediatas em fóruns internacionais, incluindo reuniões urgentes do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho Ucrânia–Otan. Para ele, o ataque, realizado próximo às fronteiras da União Europeia e da Otan, representa uma “grave ameaça à segurança europeia”.
Clima de alerta
A ofensiva ocorreu poucas horas depois de Zelenski alertar a população para a possibilidade de uma operação russa em grande escala, favorecida pelas condições climáticas do inverno, com ruas escorregadias e temperaturas extremas.
A Força Aérea ucraniana reiterou que a Rússia empregou, ao todo, 242 drones e 36 mísseis de diferentes tipos na ação, considerada uma das mais intensas das últimas semanas no conflito.



