A poucos meses do Mundial, torcedores apostam na experiência única do torneio e se mobilizam financeiramente para acompanhar a seleção na América do Norte
Viagem, paixão e expectativa
A contagem regressiva para a próxima Copa do Mundo já mobiliza torcedores brasileiros, que intensificam os preparativos para acompanhar a seleção nacional na América do Norte. Faltando pouco mais de dois meses para o início da competição, muitos organizam finanças e roteiros com o objetivo de assistir aos jogos presencialmente, embalados pela esperança de encerrar um jejum de 24 anos sem títulos.
Mesmo diante de valores elevados para ingressos e demais despesas, o entusiasmo permanece intacto. A expectativa pela conquista do hexacampeonato, independentemente da presença de Neymar, continua sendo o principal combustível para quem planeja a viagem.
A experiência além das quatro linhas
Para os torcedores, a Copa do Mundo transcende o espetáculo esportivo. O evento é visto como uma combinação de celebração cultural, convivência internacional e oportunidade de explorar novos destinos. A atmosfera festiva, marcada pelo encontro entre diferentes nacionalidades, é apontada como um dos grandes atrativos.
O empresário Raphael Ravagnani, de 39 anos, relembra o impacto inicial que o torneio teve em sua vida, ainda na infância, durante a edição de 1994, nos Estados Unidos.
“A partir dali, virou uma paixão à primeira vista. Acho que a Copa do Mundo é muito interessante porque tem um pacote completo: a festa, a decoração, juntar os familiares e amigos. Os álbuns de figurinha, as camisas, as mascotes. Fiquei fascinado”, afirmou.
Da televisão aos estádios
O primeiro contato de Ravagnani com jogos em estádios aconteceu apenas em 2014, no Brasil, quando assistiu a partidas disputadas em São Paulo. Quatro anos depois, após planejamento financeiro prolongado, viajou à Rússia acompanhado de amigos, consolidando o hábito de acompanhar o torneio in loco.
Segundo ele, a experiência ampliou sua percepção sobre o evento.
“Ali de fato virou uma chave, do quanto a Copa traz de riqueza cultural, de troca de experiências.”
Após marcar presença também no Qatar, o empresário se prepara agora para mais uma jornada internacional. O roteiro inclui passagens por cidades como Toronto, Nova York, Nova Jersey e Filadélfia, acompanhando partidas de diferentes seleções, incluindo a estreia do Brasil.
Roteiro internacional e estratégia de viagem
A programação inclui ainda uma possível extensão ao México, motivada por expectativas quanto ao desempenho da seleção brasileira na fase de grupos. Ravagnani pretende assistir a uma partida no Estádio Azteca, considerado um dos templos do futebol mundial.
“Para mim, é inegociável ver um jogo no Estádio Azteca, extremamente clássico, que respira futebol.”
Ao final da viagem, ele retornará ao Brasil para acompanhar o restante da competição ao lado de familiares. O investimento total estimado varia entre R$ 30 mil e R$ 35 mil, considerando passagens, hospedagem, alimentação e ingressos.
Custos elevados e planejamento financeiro
A analista de sistemas Ynara Costa, de 54 anos, também integra o grupo de brasileiros que acompanham a Copa presencialmente há décadas. Sem precisar detalhar os custos, ela admite o impacto financeiro da experiência.
“Não coloquei no papel e não quero pôr, porque senão dá um desânimo, porque é muito caro. Se o Brasil ficar até a final então… sei lá. É um valor bem alto que não sei dizer.”
Membro do Movimento Verde Amarelo (MVA), Ynara já esteve em diversas edições do torneio e considera essas viagens uma prioridade pessoal.
“É meu investimento de vida. Deixo de trocar meu carro para fazer essas viagens”, disse.
Ingressos mais caros geram críticas
Veterana em Copas, a torcedora observa uma escalada significativa nos preços dos ingressos ao longo dos anos, com aumento mais acentuado nesta edição.
“Acho que tem subido progressivamente em todas as Copas, mas nessa me parece que subiu de uma forma desproporcional. Estão realmente muito altos os valores.”
A percepção é compartilhada por Ravagnani.
“Os preços estão extremamente exorbitantes. Está terrível. Ingressos que na Copa passada comprei por cerca de R$ 350, agora estão saindo por R$ 2.500.”
Entre a paixão e a esperança
Apesar dos custos elevados, os torcedores avaliam que a vivência proporcionada pelo torneio justifica o investimento. A possibilidade de testemunhar um título histórico segue como principal motivação.
“Acho que não vai ser uma Copa fácil. Vamos aos trancos e barrancos, com muito jogo com o coração na boca. Mas acredito que dá para ganhar”, afirmou Ravagnani.
Ele ressalta ainda a qualidade do elenco atual, destacando a força coletiva da equipe.
Ynara também demonstra confiança, embora com cautela.
“Estou com uma expectativa muito boa. Temos um técnico muito experiente, com força para bancar suas decisões. Acredito que o hexa possa vir, mas tem várias outras seleções que também são favoritas.”
Questões migratórias não afastam torcedores
Mesmo diante de discussões sobre políticas migratórias nos Estados Unidos, os brasileiros ouvidos não demonstram preocupação significativa com possíveis restrições.
“Pelo que tenho acompanhado, não vi ninguém deixar de ir por causa desse momento conturbado. Espero que as coisas estejam um pouco mais tranquilas até lá e que todos que queiram consigam ir”, afirmou Ynara.
Ravagnani também relata tranquilidade no processo de obtenção de vistos.
“Eu e minha esposa temos dupla nacionalidade, ela italiana e eu portuguesa, e só precisamos pedir online o visto americano para quem é cidadão europeu. Meu amigo, que só tem a brasileira, teve de ir até o consulado americano solicitar o visto e deu tudo certo. Então não temos hoje essa preocupação.”
(Com Folhapress)



