Com Pacaraima e Boa Vista no topo do fluxo migratório, estado absorve a maioria dos pedidos de venezuelanos e transforma o mercado de trabalho formal
Hegemonia de Roraima no cenário migratório nacional
Dados recentes do Observatório de Migrações Internacionais (OBMigra) revelam que o estado de Roraima ratificou sua posição como o principal eixo estratégico para o acolhimento de imigrantes no Brasil. Devido à sua posição geográfica limítrofe com a Venezuela, o estado concentrou, entre 2015 e 2024, expressivos 61,2% de todos os pedidos de reconhecimento da condição de refugiado em território nacional. As cidades de Pacaraima, funcionando como a principal porta de entrada terrestre, e a capital Boa Vista lideram as estatísticas de acolhimento, mantendo essa tendência de alta ao longo de 2025.
A predominância venezuelana é absoluta no histórico da última década, somando mais de 226 mil solicitações. Após o ápice registrado em 2019 e a desaceleração durante o período pandêmico, o fluxo retomou força total em 2024, com mais de 68 mil novos pedidos. Esse grupo não apenas lidera em volume, mas também em êxito jurídico: em 2024, os venezuelanos responderam por 93,1% das concessões de refúgio deferidas pelo governo brasileiro.
Perfil demográfico e o desafio das políticas públicas
O monitoramento do fluxo migratório em Pacaraima aponta para uma mudança qualitativa no perfil dos ingressantes na Região Norte. Há uma presença cada vez mais acentuada de mulheres, crianças e adolescentes, o que impõe novos desafios para a gestão de serviços públicos locais. Em 2024, quatro em cada dez venezuelanos que buscaram refúgio no Brasil eram menores de 18 anos.
Essa parcela jovem representa 61,7% de todos os solicitantes de refúgio com menos de 18 anos no país, independentemente da nacionalidade. Esse cenário exige estratégias específicas de educação e saúde voltadas à proteção da infância e juventude, consolidando a fronteira de Roraima como um ponto crítico de assistência humanitária e integração social.
Integração econômica e liderança no mercado de trabalho
Apesar dos desafios sociais, a imigração venezuelana tem demonstrado um impacto vigoroso na economia brasileira. Atualmente, esse contingente representa a principal força de trabalho estrangeira no mercado formal do país. Ao longo de 2025, os venezuelanos lideraram o saldo de novas contratações em diversos setores, evidenciando uma rápida absorção por parte das empresas nacionais.
Essa movimentação consolida a transição do fluxo migratório de uma fase meramente assistencialista para uma etapa de contribuição econômica ativa. A capacidade de preencher vagas no mercado de trabalho formal demonstra não apenas a resiliência dos imigrantes, mas também a eficácia dos mecanismos de interiorização e inserção profissional desenvolvidos em colaboração com agências internacionais e o governo federal.



