“A coleta seletiva com a Comurg, mesmo com seus problemas, conseguia manter as cooperativas. Com a transição para o consórcio LimpaGyn, o material começou a desaparecer, já que enviavam todo o material, tanto reciclável quanto não reciclável, para o aterro sanitário de Goiânia,” afirma Milene Lima, presidente da cooperativa A Ambiental
Sistema OCB/GO promove diálogo com cooperativas de reciclagem e Comurg para ampliar a coleta seletiva e reforçar a reciclagem na capital
Goiânia, que já produziu 7% de seu lixo reciclado em 2021, viu esse índice despencar para menos de 2% dos 1,2 mil toneladas de resíduos gerados diariamente. A meta ambiciosa de 19% de reciclagem até o final do ano passado não foi atingida, e a descontinuidade da coleta seletiva pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) é apontada como um dos principais fatores. A situação não apenas impacta o meio ambiente da capital goiana, mas também gera severas consequências sociais para as 12 cooperativas de reciclagem da cidade. Essas cooperativas são responsáveis pelo sustento de 300 a 400 famílias, que hoje enfrentam a perda de renda.
Milene Lima, presidente da cooperativa A Ambiental, expressa a gravidade do problema: “A coleta seletiva com a Comurg, mesmo com seus problemas, conseguia manter as cooperativas. Com a transição para o consórcio LimpaGyn, o material começou a desaparecer, já que enviavam todo o material, tanto reciclável quanto não reciclável, para o aterro sanitário de Goiânia.”
Desafios e o impacto nas cooperativas
As 12 cooperativas de reciclagem de Goiânia, que empregam centenas de famílias, lidam com dificuldades financeiras significativas. Para Milene Lima, a solução ideal passa pela conscientização da população sobre a importância da separação do lixo e o retorno urgente dos materiais para as cooperativas. “Estamos trabalhando com muita dificuldade. As receitas das cooperativas caíram drasticamente, estão todas operando no vermelho, com as dívidas crescendo e a renda caindo. Temos que nos desdobrar hoje para trabalhar com o lixo que chega até nós”, relata.
Nair Rodrigues, presidente da rede de cooperativas Central Uniforte, complementa: “Na transição da coleta seletiva da Comurg para o LimpaGyn, ficamos quatro meses sem receber resíduos. Com isso, ficamos praticamente sem renda, tanto a cooperativa quanto os cooperados.”
Busca por soluções e articulação institucional
Em busca de alternativas para reverter o cenário, o Sistema OCB/GO promoveu uma reunião em sua sede com representantes das cooperativas e diretores da Comurg, incluindo o presidente, coronel Cleber Aparecido Santos. O encontro teve como foco discutir a falta de conscientização da sociedade quanto à coleta seletiva e a necessidade de direcionar os resíduos sólidos para as cooperativas.
Luís Alberto Pereira, presidente do Sistema OCB/GO, reforçou a importância da educação ambiental da população. “O ideal é que a população esteja educada, que as cooperativas busquem o material e recebam por esse transporte, sem precisar de um subsídio do Estado ou da prefeitura”, defendeu.
Como medida de curto prazo, Luís Alberto propôs o retorno do serviço de coleta para a Comurg. No entanto, o objetivo a médio prazo do Sistema OCB/GO é que as próprias cooperativas de reciclagem assumam a coleta do material, sendo remuneradas por esse trabalho. “Elas são as maiores interessadas, mas precisam antes se capacitar e terem condições econômicas para realizarem os investimentos necessários”, pontuou.
Compromisso da Prefeitura e perspectivas futuras
O presidente da Comurg enfatizou que a meta da prefeitura é fortalecer as cooperativas e posicionar Goiânia como referência nacional em gestão de resíduos. “O prefeito Sandro Mabel determinou que devemos expandir a coleta seletiva e a reciclagem, reduzindo a pressão sobre o aterro sanitário”, declarou Cleber Aparecido.
Helena Ribeiro, presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Goiânia e Região Metropolitana (Codese), ressaltou a importância de um projeto abrangente que envolva todas as partes interessadas. “A gente quer o bem da cidade. Queremos uma Goiânia limpa”, enfatizou.