Índice de Atividade Econômica do Banco Central aponta alta de 2,5%, mas ritmo de crescimento é inferior ao registrado em 2024; retração em dezembro foi menor do que o temor do mercado
A economia brasileira encerrou o ano de 2025 em uma trajetória de moderação. Segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (19/2), o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) — indicador amplamente monitorado como o principal sinalizador da evolução do Produto Interno Bruto (PIB) — registrou uma expansão de 2,5% no acumulado dos últimos 12 meses. O número confirma o cenário de arrefecimento da atividade, visto que o avanço do país em 2024 havia atingido a marca de 3,7%.
Embora o dado anual revele uma perda de fôlego, o desempenho de dezembro trouxe um alento moderado aos analistas de mercado, mostrando que a estrutura produtiva brasileira resistiu melhor do que o previsto no apagar das luzes do ano passado.
Dezembro surpreende apesar de queda marginal
O último mês de 2025 apresentou uma contração de 0,2% na atividade econômica quando comparado a novembro. À primeira vista negativo, o índice foi recebido com relativo otimismo nas mesas de operação financeira, uma vez que as projeções coletadas pela agência Reuters estimavam um tombo mais expressivo, na ordem de 0,5%.
No recorte trimestral, a economia brasileira conseguiu sustentar um crescimento de 0,4% entre outubro e dezembro, na comparação com o terceiro trimestre. Na base de comparação anual (dezembro de 2025 contra dezembro de 2024), o IBC-Br exibiu um robusto ganho de 3,1%.
Divergência entre previsões e o veredito do IBGE
O resultado do IBC-Br coloca o crescimento do Brasil em uma zona de convergência entre as expectativas do governo e as do mercado, embora ambas apontem para a desaceleração após o ciclo de alta de 3,4% (conforme registrado pelo IBGE em 2024).
- Ministério da Fazenda: Trabalha com uma projeção mais conservadora, estimando que o PIB de 2025 feche em 2,2%.
- Banco Central (IBC-Br): Sinaliza um patamar de 2,5%.
- Mercado Financeiro: Reavalia agora o impacto da taxa de juros e do consumo interno sobre os dados finais.
Vale ressaltar que o IBC-Br possui uma metodologia distinta do cálculo oficial, focando principalmente no volume de atividade econômica mensal, enquanto o PIB oficial leva em conta outros fatores como impostos e o valor agregado de toda a cadeia produtiva.
O que esperar em 3 de março?
A expectativa agora se volta para o dia 3 de março de 2026, data em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o resultado consolidado do PIB do Brasil. Até lá, o IBC-Br servirá como a baliza fundamental para a formulação das novas diretrizes da política monetária e para os discursos de confiança no setor produtivo.
A desaceleração atual é vista por economistas como um ajuste natural após um ano de forte expansão, refletindo o peso do crédito mais caro e a estabilização de setores-chave como a agroindústria e o varejo.
Com informações da Reuters



