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Pressão de Washington: governo Trump quer que Brasil receba presos capturados nos EUA e apresente plano contra facções

Jeverson by Jeverson
13 de março de 2026
in Mundo
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‘Não foi caça às bruxas’: Lula rebate acusações dos EUA e defende decisão do STF sobre Bolsonaro

Lula e Donald Trump. Fotos: Brendan Smialowski e Patrick T. Fallon/AFP

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Proposta americana inclui envio de estrangeiros detidos para presídios brasileiros e exige estratégia para desarticular PCC, Comando Vermelho e outros grupos. Planalto rejeita condições e negociações seguem em curso antes de encontro entre Lula e Trump

O governo do presidente americano Donald Trump apresentou ao Brasil uma proposta de cooperação em segurança que inclui a possibilidade de transferir para presídios brasileiros estrangeiros capturados em território dos Estados Unidos. O modelo sugerido se inspiraria no sistema adotado por El Salvador, que mantém detentos estrangeiros na penitenciária de segurança máxima Cecot.

A iniciativa integra um pacote de colaboração bilateral voltado ao enfrentamento de organizações criminosas transnacionais. A ideia, segundo autoridades americanas, era que o acordo fosse anunciado durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Casa Branca. Inicialmente prevista para março, a agenda deve ocorrer apenas em abril.

Proposta inclui ofensiva contra facções e grupos estrangeiros

Além da transferência de presos, Washington também quer que o Brasil apresente uma estratégia concreta para eliminar a atuação de organizações como o PCC (Primeiro Comando da Capital), o Comando Vermelho (CV), o Hezbollah e grupos criminosos chineses que operariam em território brasileiro.

De acordo com um alto funcionário americano ouvido pela reportagem, o objetivo é ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado e às redes que operam além das fronteiras nacionais.

Outro ponto da proposta prevê que o Brasil compartilhe com autoridades americanas informações sensíveis sobre estrangeiros que buscam refúgio no país, incluindo dados biométricos. A medida, segundo os EUA, seria parte de um esforço para conter a criminalidade transnacional e impedir fluxos migratórios irregulares por portos e fronteiras brasileiras.

Plano americano responde a proposta apresentada por Lula

As exigências apresentadas por Washington surgiram como resposta a um plano de cooperação formulado anteriormente pelo governo brasileiro. A proposta foi apresentada por Lula durante uma conversa telefônica com Trump no ano passado, diálogo que também marcou uma redução das tensões diplomáticas entre os dois países após disputas comerciais relacionadas ao chamado tarifaço.

O plano brasileiro previa quatro frentes principais de atuação. Entre elas estava o fortalecimento do combate à lavagem de dinheiro, com foco em criminosos brasileiros que utilizariam empresas de fachada registradas no estado de Delaware, considerado um ambiente favorável à abertura de companhias nos Estados Unidos.

A proposta também incluía o bloqueio de ativos em território americano provenientes de recursos ilícitos obtidos por brasileiros, ampliando a cooperação entre a Receita Federal e o Internal Revenue Service (IRS).

Outro eixo sugerido pelo Brasil envolvia uma atuação mais integrada entre autoridades alfandegárias para reforçar o controle sobre o tráfico internacional de armas — principal fonte de abastecimento de armamentos para facções como o PCC e o Comando Vermelho.

O documento ainda previa ampliar a troca de informações sobre transações envolvendo criptoativos, área que tem sido cada vez mais utilizada por organizações criminosas para movimentação de recursos.

Governo brasileiro rejeita exigências e busca alternativa

Apesar das negociações em andamento, integrantes do governo brasileiro afirmam que as demandas apresentadas pelos Estados Unidos não foram aceitas nos termos propostos. Técnicos e diplomatas dos dois países trabalham para formular um acordo que seja considerado viável para ambas as partes antes da visita presidencial a Washington.

Uma das principais preocupações do Palácio do Planalto é evitar que os Estados Unidos classifiquem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Reportagem do portal UOL indicou que Washington já teria tomado a decisão de enquadrar as facções nessa categoria.

Na avaliação do governo Lula, essa classificação poderia abrir espaço jurídico para possíveis intervenções americanas em território brasileiro. Há também receio de que o tema seja explorado politicamente por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período eleitoral.

Desde o início da semana, o presidente tem participado de reuniões internas para discutir alternativas à proposta apresentada pelos americanos e definir uma estratégia de comunicação pública sobre o tema.

Facções ampliam presença dentro e fora do Brasil

Investigações e relatórios recentes apontam que as duas maiores facções criminosas do país ampliaram significativamente sua presença. O Comando Vermelho e o PCC já atuam em todos os estados brasileiros e exercem predominância em pelo menos 13 unidades da federação.

Além da expansão nacional, as organizações também consolidaram redes internacionais. O Comando Vermelho mantém conexões criminosas em ao menos oito países da América Latina, enquanto o PCC já estabeleceu presença em pelo menos 16 nações.

Tags: BrasilCombate a crimes transnacionaisCVEUALulamundoPCCTrump
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