Tradição religiosa marca o início da Quaresma e simboliza penitência, reflexão e preparo espiritual para a Páscoa
A abstenção de carne na Quarta-Feira de Cinzas é uma das práticas mais conhecidas do calendário cristão e, ao mesmo tempo, uma das que mais despertam curiosidade fora do ambiente religioso. A tradição, observada pelos fiéis da Igreja Católica, marca o início da Quaresma, período de 40 dias de preparação espiritual que antecede a Páscoa.
Mais do que uma regra alimentar, o costume carrega um forte simbolismo religioso e histórico, associado à penitência, ao sacrifício e à conversão interior. A data sucede o Carnaval e funciona, para os católicos, como um chamado à sobriedade após dias tradicionalmente ligados à festa e aos excessos.
Um gesto de penitência e simplicidade
A orientação de não consumir carne na Quarta-Feira de Cinzas está ligada ao significado simbólico do alimento. Historicamente, a carne sempre foi associada à celebração, à abundância e ao luxo. Ao abrir mão desse tipo de alimento, o fiel pratica um gesto de renúncia voluntária, lembrando o sofrimento de Jesus Cristo e reforçando valores como humildade e autocontrole.
Além da abstinência de carne, a Igreja também recomenda o jejum para adultos saudáveis, limitando a quantidade de refeições ao longo do dia. O objetivo não é a privação em si, mas o exercício de disciplina espiritual e reflexão sobre a própria conduta.
Origem da tradição
A prática remonta aos primeiros séculos do cristianismo, quando a Quaresma foi instituída como um período de preparação para o batismo e para a celebração da ressurreição de Cristo. A escolha da Quarta-Feira de Cinzas como marco inicial está relacionada ao rito da imposição das cinzas sobre a testa dos fiéis, acompanhada da lembrança bíblica da fragilidade humana.
Ao longo do tempo, a abstinência de carne passou a ser um sinal visível desse compromisso espiritual, reforçando a ideia de desapego e conversão interior.
Quem deve seguir a orientação
De acordo com a doutrina católica, a abstinência de carne na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa é obrigatória para fiéis a partir dos 14 anos. O jejum, por sua vez, é recomendado para adultos entre 18 e 59 anos, excetuando-se pessoas com problemas de saúde, idosos e gestantes.
Ainda assim, a Igreja enfatiza que o mais importante não é o cumprimento literal da regra, mas a vivência do espírito da Quaresma, que inclui práticas como caridade, oração e reflexão pessoal.
Mais que um costume alimentar
Para os católicos, não comer carne na Quarta-Feira de Cinzas vai além de uma tradição cultural. Trata-se de um gesto simbólico que marca o início de um tempo de introspecção e renovação da fé, preparando o caminho para a celebração da Páscoa, considerada o momento central do calendário cristão.



