Hábito comum na cozinha, a lavagem precoce remove a proteção natural da casca e aumenta o risco de contaminação por bactérias
Embora pareça uma medida básica de higiene, lavar ovos logo após a compra pode comprometer a segurança alimentar. Especialistas explicam que a própria natureza desenvolveu um mecanismo eficiente de proteção para o ovo — e a água, nesse caso, pode fazer mais mal do que bem.
A orientação de profissionais da área é clara: ovos devem ser armazenados sem lavagem prévia e higienizados apenas no momento do preparo.
A cutícula: a proteção invisível da casca
A casca do ovo não é totalmente sólida. Ela possui milhares de microporos responsáveis pela troca de gases. Para impedir a entrada de microrganismos, a galinha produz uma fina película protetora, conhecida como cutícula ou bloom.
Essa camada funciona como uma vedação natural dos poros, reduzindo a penetração de bactérias e outros agentes externos. Quando o ovo é lavado, especialmente sob água corrente, essa proteção é removida.
Sem a cutícula, os poros ficam expostos, criando um caminho direto para que microrganismos presentes na superfície da casca atinjam o interior do alimento.
Salmonela: risco silencioso na cozinha
Entre as principais ameaças está a Salmonella, bactéria associada a infecções gastrointestinais que podem ser graves, sobretudo em crianças, idosos e pessoas com imunidade comprometida.
Ao lavar o ovo, a água pode facilitar a entrada da bactéria pelos poros da casca, sobretudo se houver diferença de temperatura entre o ovo e o ambiente. Além disso, a combinação de umidade e refrigeração favorece a multiplicação de microrganismos quando a barreira natural já foi removida.
Como armazenar ovos corretamente
Para reduzir riscos e preservar a qualidade do alimento, especialistas em segurança alimentar recomendam alguns cuidados simples:
- Limpeza inicial: caso haja sujeira visível, utilize apenas papel-toalha seco para removê-la, sem uso de água.
- Local na geladeira: prefira as prateleiras internas, especialmente as mais ao fundo, onde a temperatura é mais estável.
- Evite a porta: a abertura frequente provoca variações térmicas que podem gerar condensação na casca.
- Momento certo para lavar: a higienização deve ser feita somente imediatamente antes do preparo, quando o ovo será cozido ou consumido em seguida.
Atenção ao estado do ovo
Alguns sinais ajudam a identificar riscos:
- Ovos rachados: fissuras rompem a barreira protetora e aumentam o risco de contaminação; nesses casos, o ideal é consumir rapidamente ou descartar.
- Aspecto ao quebrar: ovos frescos apresentam gema firme e centralizada; quando a gema se espalha com facilidade, o frescor já está comprometido.
Adotar práticas corretas de armazenamento é uma medida simples, mas fundamental, para reduzir riscos à saúde e garantir o consumo seguro de um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros.



