Estudo da Universidade de Michigan revela que prática espalha patógenos por toda a área de preparo; especialistas em segurança alimentar alertam para o risco de contaminação cruzada por Salmonella e E. coli
A imagem da carne sendo lavada sob a torneira da cozinha, um hábito passado por gerações como sinônimo de limpeza, é hoje classificada por cientistas como um “atentado” à segurança alimentar. Diferente do que dita o senso comum, a água não apenas falha em higienizar a proteína, como atua como um veículo de transporte para microrganismos letais.
Relatórios da Universidade de Michigan e publicações especializadas, como o Tasting Table, confirmam que as gotas de água que saltam da carne crua podem viajar por metros, depositando bactérias invisíveis em tábuas de corte, utensílios, panos de prato e até mesmo na pele de quem cozinha.
A ciência do salpico e a contaminação cruzada
O perigo reside na física do processo. Quando o jato de água atinge a superfície da carne, ele cria um aerossol de bactérias — incluindo a temida Salmonella e a E. coli. Esse fenômeno, conhecido como contaminação cruzada, transforma uma pia limpa em um campo minado de patógenos em poucos segundos.
“O simples ato de lavar carne crua aumenta significativamente o risco de contaminação de superfícies próximas, como tábuas de corte e áreas de preparo”, aponta a pesquisa da Universidade de Michigan.
O erro se torna ainda mais grave quando o cozinheiro tenta utilizar detergentes ou sabões. Tais produtos químicos não são formulados para o consumo humano e podem deixar resíduos tóxicos nos tecidos da carne, agravando o risco à saúde em vez de mitigá-lo.
O único esterilizante eficaz: O calor
Especialistas são unânimes: o único método seguro para eliminar bactérias na carne é o tratamento térmico. Temperar o alimento e levá-lo diretamente ao fogo (seja frito, assado ou cozido) garante que as temperaturas internas atinjam níveis letais para os microrganismos.
- Mãos e Superfícies: A prioridade deve ser a lavagem rigorosa das mãos após o manuseio da carne.
- Fluxo de Trabalho: Utensílios que tocaram a carne crua não devem encostar em vegetais ou alimentos que serão consumidos in natura.
- Higiene da Pia: Após o preparo, a área de manipulação deve ser desinfetada com álcool 70% ou soluções cloradas.
Fora de casa: O risco escondido nas saladas
A preocupação com a segurança alimentar se estende aos restaurantes, mas, surpreendentemente, o vilão raramente é o bife. Especialistas ouvidos pela Fox News indicam que pratos frios, como frutas cortadas e saladas prontas, são os maiores vetores de surtos alimentares.
O cientista de alimentos Bryan Quoc Le explica que vegetais folhosos são críticos porque não passam pelo “filtro” do calor. “Os controles são mais difíceis de aplicar nesses casos”, afirmou. Complementando a tese, a especialista Tina Marinaccio ressalta que o foco deve ser a conduta humana: “A falta de lavagem correta das mãos e o uso incorreto de luvas estão entre as causas mais comuns de contaminação alimentar”.



