Meia de 33 anos solicita rompimento antes do fim do vínculo, que se encerra em junho; clima no clube é de expectativa por definição
O ciclo de Philippe Coutinho no Club de Regatas Vasco da Gama pode estar próximo do fim. O meia de 33 anos informou à diretoria que deseja rescindir o contrato antes do prazo previsto, que se encerra em junho. Uma reunião entre as partes deve ocorrer nos próximos dias para definir o desfecho.
Nos bastidores, a avaliação é de que a decisão pode ser formalizada em breve. A informação inicial foi divulgada pelo canal Atenção, Vascaínos, e confirmada posteriormente por apuração da reportagem.
A despedida, se confirmada, terá como pano de fundo um ambiente de pressão crescente. No último compromisso pela equipe, parte da torcida entoou o coro “Ei, Coutinho, vai tomar no c…”, em manifestação de insatisfação durante a partida contra o Volta Redonda Futebol Clube, válida pelas quartas de final do Campeonato Carioca.
Sinais de desgaste
Substituído no intervalo após um primeiro tempo considerado abaixo do esperado, o camisa 11 não retornou sequer ao banco de reservas. Ele foi um dos três atletas sacados na etapa inicial, em decisão do técnico Fernando Diniz, quando o time ainda perdia por 1 a 0. O empate veio na segunda etapa e garantiu a classificação nos pênaltis.
Após a partida, Diniz procurou minimizar qualquer ruído na relação com o jogador. “Minha relação ao Coutinho é muito próxima, mais próxima do que vocês imaginam. Muito próxima, muito boa, relação ótima”, afirmou o treinador.
Apesar do discurso público, pessoas próximas ao técnico relataram preocupação com o estado emocional do atleta nas últimas semanas. O ambiente de cobrança e a exposição constante têm sido apontados como fatores de desgaste.
“Esse meio é extremamente violento”
Em um congresso de treinadores realizado no ano passado, Diniz já havia citado Coutinho ao abordar a necessidade de suporte psicológico no futebol profissional:
“Coutinho tem dinheiro, passou por grandes clubes, mas queria parar de jogar e agora não quer mais. Todo mundo precisa de ajuda. Esse meio é extremamente violento e castrador. A gente fica exposto. Ser treinador e jogador aqui no Brasil é das coisas mais difíceis. Você é exposto o tempo todo, criticado, achincalhado. Você só para de ser desqualificado quando você ganha alguma coisa.”
O episódio recente reforça a discussão sobre saúde mental no esporte de alto rendimento e a pressão exercida sobre atletas experientes que retornam ao país sob grande expectativa.
Até o momento, nem o clube nem o jogador divulgaram posicionamento oficial. A definição sobre a rescisão deve ocorrer após a reunião prevista entre as partes.
