Deputado é acusado de tentar interferir em processos contra seu pai por meio de lobby nos Estados Unidos
A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a instauração de um inquérito policial para investigar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), sob a acusação de tentativa de intimidação de autoridades brasileiras e obstrução da Justiça. O pedido foi apresentado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
Segundo a PGR, o parlamentar atuou para que autoridades norte-americanas aplicassem sanções ao ministro Alexandre de Moraes, com o objetivo de interferir em investigações criminais conduzidas pelo Supremo, nas quais o ex-presidente Jair Bolsonaro — pai do deputado — é um dos principais alvos.
Tentativa de coação e obstrução de Justiça
De acordo com Gonet, a movimentação de Eduardo Bolsonaro representa uma estratégia para intimidar agentes públicos brasileiros que atuam em processos contra integrantes do antigo governo, incluindo generais e assessores próximos ao ex-chefe do Executivo.
O procurador-geral argumenta que ao solicitar a aplicação de sanções por parte dos Estados Unidos contra um ministro do STF, o parlamentar busca minar a independência do Judiciário e influenciar diretamente o andamento das apurações sobre uma possível tentativa de golpe de Estado. Tal conduta, segundo a PGR, pode configurar crimes de coação no curso do processo e obstrução da Justiça.
Além da abertura de inquérito, Gonet requer que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja ouvido formalmente no caso, uma vez que seria beneficiado direto das articulações de seu filho.
Pressão internacional e resposta do governo brasileiro
Eduardo Bolsonaro já havia anunciado, há cerca de dois meses, que estava em missão nos Estados Unidos para pressionar o governo daquele país a impor sanções a Alexandre de Moraes. Na última semana, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, confirmou que o tema está “em análise” e que há uma “grande possibilidade” de as sanções serem aprovadas.
A perspectiva de retaliações por parte dos EUA causou reação imediata entre integrantes do Judiciário e do Executivo brasileiros. Fontes do governo relataram que, diante do avanço das pressões, os canais diplomáticos foram acionados com urgência. As tratativas com Washington ganharam novo fôlego no fim de semana, envolvendo membros do primeiro escalão da administração federal.
Big techs e o “jogo maior” nos bastidores
De acordo com interlocutores do governo brasileiro, há a percepção de que Eduardo Bolsonaro não atua sozinho e que interesses mais amplos estão em jogo. “O jogo é maior”, disse uma autoridade do Executivo à imprensa, sob condição de anonimato.
Segundo essa avaliação, a ofensiva contra o ministro do STF estaria sendo encampada por figuras com acesso direto à Casa Branca — incluindo empresários do setor de tecnologia, como o bilionário Elon Musk, que tem se envolvido em polêmicas públicas com Alexandre de Moraes nas redes sociais.
As pressões em favor de sanções, portanto, extrapolariam os limites da política brasileira, inserindo-se em um cenário geopolítico mais amplo, que envolve disputas sobre regulação digital, liberdade de expressão e soberania das instituições nacionais.