Entre o aconchego e a higiene, estudos revelam que o hábito de compartilhar o lençol com animais de estimação possui benefícios psicológicos, mas exige protocolos sanitários rigorosos
Para muitos tutores, a ideia de deixar o cão dormir no chão ou em outro cômodo é impensável. O hábito, no entanto, é alvo de debates constantes entre veterinários e médicos. Pesquisas recentes indicam que a resposta para “se faz mal” não é um simples sim ou não, mas sim um “depende” do estado de saúde de ambos e da rotina de higiene da casa.
Os benefícios: redução de estresse e egurança
Estudos de universidades como a Mayo Clinic apontam que muitas pessoas se sentem mais seguras e relaxadas ao dormir com seus pets.
- Efeito Oxitocina: O contato físico com o cão libera oxitocina, o hormônio do bem-estar, que reduz os níveis de cortisol (hormônio do estresse).
- Combate à Ansiedade: Para pessoas que sofrem de pesadelos ou transtorno de estresse pós-traumático, a presença do animal funciona como uma “âncora” emocional, facilitando o adormecimento.
- Termorregulação: Em noites frias, o calor corporal do cão ajuda a manter a temperatura da cama estável.
Os riscos: ciclo de sono e alérgenos
Apesar do conforto emocional, a ciência alerta para dois pontos críticos: a qualidade do sono e a transmissão de doenças.
1. Fragmentação do Sono
Cães têm ciclos de sono diferentes dos humanos. Eles são poligfásicos (dormem várias vezes ao dia) e costumam se mover, sonhar (com movimentos de patas) e se coçar durante a noite. Isso pode causar microdespertares no tutor, prejudicando o sono profundo (fase REM).
2. Zoonoses e higiene
O maior risco biológico envolve a presença de ectoparasitas (pulgas e carrapatos) e bactérias.
- Bactérias e Fungos: Patas que passearam na rua podem carregar microrganismos para dentro dos lençóis.
- Problemas Respiratórios: Mesmo quem não é alérgico pode desenvolver sensibilidade a pelos e descamação da pele do animal (caspa canina) acumulados no travesseiro.
O veredito: como tornar o hábito saudável
Se você decidiu que o seu melhor amigo continuará dividindo o quarto com você, os especialistas recomendam seguir a “Regra de Ouro da Higiene”:
- Limpeza de Patas: Use lenços umedecidos específicos para pets após cada passeio.
- Vermifugação e Vacinas: Mantenha o calendário rigorosamente em dia para evitar a transmissão de parasitas internos.
- Troca de Roupas de Cama: Lave os lençóis com maior frequência (pelo menos duas vezes por semana) e use capas protetoras de colchão.
- Delimitação de Espaço: Ensine o cão a dormir aos pés da cama ou sobre uma manta específica, evitando que ele encoste o focinho ou as partes íntimas no seu travesseiro.
“A convivência na cama é perfeitamente possível para humanos e animais saudáveis, desde que haja um compromisso inegociável com a desparasitação e a limpeza do ambiente”, afirmam especialistas em medicina veterinária preventiva.
