Com 159 atendimentos registrados nos primeiros dias de 2026, Secretaria Municipal de Saúde convoca população para reforçar barreiras sanitárias domésticas
Vigilância epidemiológica e a dinâmica de transmissão em 2026
O início do calendário civil em Goiânia coincide com o período de maior vulnerabilidade biológica para a propagação do mosquito Aedes aegypti. De acordo com o balanço da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a primeira semana epidemiológica do ano, compreendida entre 1 e 8 de janeiro, contabilizou 159 acolhimentos a pacientes com sintomatologia compatível com a dengue na rede de urgência e emergência. Embora o volume de casos atual ainda não indique um surto imediato, especialistas em saúde pública alertam que a tendência histórica do primeiro trimestre aponta para um crescimento acelerado da incidência, o que exige um monitoramento rigoroso para evitar o sobrecarregamento das unidades hospitalares e a escassez de leitos.
O papel da sociedade no controle do vetor
A gestão municipal enfatiza que o enfrentamento à doença transcende as ações do poder público, sendo a cooperação civil um pilar indispensável da profilaxia. Frank Cardoso, assessor técnico da SMS, observa que a flutuação sazonal de casos é uma realidade conhecida, mas que pode ser mitigada com o engajamento comunitário. A dificuldade reside no fato de que a maioria dos criadouros do mosquito está situada em ambientes privados — locais onde a fiscalização permanente do Estado encontra barreiras físicas e jurídicas. Portanto, a dinâmica de transmissão está intrinsecamente ligada à manutenção cotidiana dos domicílios e à eliminação de focos de água estagnada.
Estratégias de prevenção e manutenção ambiental
Para interromper o ciclo de reprodução do mosquito, a Vigilância em Saúde recomenda uma inspeção semanal detalhada nas áreas internas e externas das residências. Entre as medidas prioritárias, destacam-se a limpeza de calhas, o fechamento hermético de caixas d’água e a atenção redobrada a ralos e pratos de vasos de plantas, que devem receber areia para impedir o acúmulo de líquidos. No caso de imóveis com piscinas, o tratamento químico com cloro e a filtragem regular são fundamentais para garantir que a água não se torne um viveiro de larvas. O descarte correto de materiais recicláveis, pneus e entulhos de construção também figura como ação preventiva essencial neste período de alta pluviosidade.
Cooperação com o poder público e agentes de endemias
Outro ponto crucial ressaltado pelo superintendente de Vigilância em Saúde, Flávio Toledo, é a importância de permitir o acesso dos agentes de combate às endemias aos imóveis. Estes profissionais possuem treinamento técnico para identificar focos imperceptíveis aos olhos dos moradores e oferecer orientações personalizadas para cada tipo de edificação. A atuação dos agentes é estritamente educativa e preventiva, visando a segurança sanitária coletiva. O objetivo central é que a conscientização se transforme em hábito, evitando que a capital goiana enfrente uma nova crise epidemiológica nos meses subsequentes.




