Altas temperaturas e desidratação elevam risco de cálculos renais; especialistas reforçam importância da prevenção
Estação quente e alerta para a saúde
O verão, marcado por calor intenso e maior transpiração, traz consigo um aumento significativo nos casos de cálculos renais. Estudos indicam que a incidência da condição pode crescer em até 30% durante o período. Popularmente conhecida como pedra nos rins, a doença afeta cerca de 10% da população brasileira, ou seja, uma em cada dez pessoas.
Como os cálculos se formam
A formação das pedras ocorre pelo acúmulo de minerais nos rins ou nas vias urinárias, geralmente associado ao baixo consumo de água e a dietas ricas em sal e proteínas. Com a perda de líquidos pelo suor e sem reposição adequada, a urina torna-se mais concentrada, favorecendo o surgimento dos cálculos.
Sintomas e tratamentos
Entre os principais sintomas estão dor intensa (cólica renal), náuseas, vômitos e presença de sangue na urina. O tratamento varia conforme a gravidade: pode incluir aumento da ingestão de líquidos, uso de medicamentos ou procedimentos cirúrgicos, como a ureterorrenolitotripsia a laser. A condição é mais comum em adultos jovens, entre 20 e 35 anos, e afeta mais homens do que mulheres. Além disso, metade dos pacientes que já tiveram cálculos pode apresentar novos episódios em até dez anos.
Orientação médica
O urologista Flávio Marques dos Santos reforça que a hidratação é a principal forma de prevenção. “Com o aumento da temperatura, transpiramos mais e, se não repusermos esse líquido, a urina fica mais concentrada e favorece a formação das pedras. O ideal é que a pessoa observe a cor da urina: quanto mais clara, melhor a hidratação. Urina escura é um sinal de alerta”, explica.
Experiência de paciente
O farmacêutico Humberto Gonzaga Jayme, de 49 anos, relata ter enfrentado diversos episódios de cólica renal desde a juventude, muitos deles exigindo intervenção cirúrgica. “Meu primeiro episódio de cólica renal aconteceu por volta dos 20 anos e, desde então, tive vários recorrentes. Em oito deles, foi necessária intervenção cirúrgica para retirada dos cálculos. Em cada situação, um médico diferente e sempre o mesmo diagnóstico: beber mais água”, conta.
Segundo ele, o acompanhamento sistemático trouxe mudanças significativas. “Depois de muito sofrer com o problema, conheci o Dr. Flávio em um desses episódios de cólica. A partir dali, a conduta mudou. Além de retirar os cálculos, ele propôs uma investigação mais detalhada e um tratamento medicamentoso para prevenir a formação de novas pedras. Hoje, já são muitos anos de acompanhamento sistemático e, além da orientação de ingerir mais água, tenho um diagnóstico mais apurado, o que reduziu significativamente as crises. Inclusive, consegui eliminar cálculos de forma espontânea, sem necessidade de novas cirurgias”, destaca.
Fatores de risco e prevenção
Além da baixa ingestão de líquidos, fatores como sedentarismo, ganho de peso, consumo excessivo de sal e alimentos ultraprocessados aumentam o risco da doença. Bebidas como café, chás escuros, refrigerantes à base de cola e álcool também podem contribuir para a formação dos cálculos.
Especialistas recomendam:
- Ingerir de 2 a 3 litros de água por dia
- Reduzir o consumo de sal
- Praticar atividades físicas e manter peso adequado
- Diminuir a ingestão de proteínas animais, especialmente carnes vermelhas, miúdos e frutos do mar
- Aumentar o consumo de sucos cítricos, que ajudam a proteger os rins.

Dr. Flávio Marques



