Em primeira celebração pascal como líder da Igreja Católica, pontífice reúne milhares no Vaticano e reforça mensagem de esperança diante de guerras e desigualdades
O papa Papa Leão XIV fez neste domingo (5) um apelo contundente contra os conflitos armados e as desigualdades globais durante a missa de Páscoa celebrada na Praça de São Pedro. A cerimônia, que reuniu cerca de 45 mil fiéis, marcou a primeira celebração pascal do pontífice desde sua eleição, há aproximadamente 11 meses.
Diante de uma multidão reunida no coração do Vaticano, o papa abriu a homilia com uma mensagem de renovação espiritual:
“Hoje, toda a criação resplandece com uma nova luz; da terra se eleva um cântico de louvor; o nosso coração exulta de alegria: Cristo ressuscitou da morte e, com Ele, também nós ressuscitamos para uma vida nova”.
A celebração ocorreu em um cenário marcado por simbolismo e cores, com a praça adornada por dezenas de milhares de flores multicoloridas, resultado da colaboração entre floristas holandeses e equipes dos Jardins Vaticanos.
Ao longo da homilia, Leão XIV destacou o significado da Páscoa como convite à esperança e à transformação. Segundo ele, o momento litúrgico ultrapassa o plano religioso e se insere também na trajetória da humanidade.
“Através de frestas de ressurreição que surgem na escuridão”, o Senhor “entrega o nosso coração à esperança que nos sustenta: o poder da morte não é o destino último da nossa vida. De uma vez para sempre, estamos orientados para a plenitude, porque, em Cristo ressuscitado, também nós somos ressuscitados”.
O pontífice enfatizou ainda que a mensagem pascal renova diariamente a possibilidade de reconstrução:
“A Páscoa do Senhor nos dá esta esperança, lembrando-nos que, em Cristo ressuscitado, uma nova criação é possível todos os dias”, disse ainda o Papa, recordando que “uma vida nova, mais forte do que a morte, está agora brotando para a humanidade”.
Críticas à guerra e à desigualdade
Em um dos momentos mais incisivos da celebração, o papa direcionou sua fala às crises contemporâneas, criticando a violência armada e o modelo econômico que, segundo ele, aprofunda injustiças.
“Vemos isso na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que se ergue em todos os lugares por causa dos abusos que esmagam os mais fracos, diante da idolatria do lucro que saqueia os recursos da terra, diante da violência da guerra que mata e destrói”, afirmou.
Apesar do diagnóstico crítico, Leão XIV reiterou a centralidade da esperança cristã mesmo em contextos adversos. Para ele, a Páscoa permanece como um sinal de resistência diante do sofrimento humano:
“É verdade que muitas vezes parece que Deus não existe: vemos injustiça, maldade, indiferença e crueldade que nunca diminuem. Mas é igualmente certo que, em meio às trevas, algo novo sempre começa a florescer, que mais cedo ou mais tarde dá frutos”.
O pontífice concluiu a celebração com a tradicional bênção “Urbi et Orbi” (à cidade e ao mundo), encerrando sua primeira Semana Santa à frente da Igreja Católica com uma mensagem que combina denúncia social e renovação espiritual.


