Ainda em recuperação após mais de um mês hospitalizado, o pontífice, de 88 anos, fez uma breve aparição em cadeira de rodas, sem o auxílio de oxigênio, por volta do meio-dia no horário local (7h de Brasília).
O papa Francisco apareceu na sacada da Basílica de São Pedro, no Vaticano, neste domingo de Páscoa (20), para conceder a tradicional bênção Urbi et Orbi (“à cidade e ao mundo”), emocionando milhares de fiéis presentes na Praça de São Pedro.
Apesar das limitações físicas e da voz debilitada, Francisco transmitiu sua mensagem pascal com o apoio de um colaborador, que leu o texto preparado pelo papa. Nele, o pontífice fez um apelo por paz em regiões marcadas por conflitos armados, com destaque para a situação na Faixa de Gaza.
“A situação é dramática e deplorável”, afirmou o papa em referência ao conflito entre Israel e o grupo Hamas, que mantém reféns desde o ataque ocorrido em 7 de outubro de 2023. Francisco apelou pela libertação dos sequestrados e declarou: “Expresso minha proximidade com os sofrimentos (…) de todo o povo israelense e do povo palestino”.
O papa também reiterou a importância da liberdade de pensamento, de expressão e de religião: “Nenhuma paz é possível onde não há liberdade religiosa ou liberdade de pensamento e de expressão”. Ele conclamou os líderes mundiais a superarem a lógica do medo e a derrubarem as barreiras que promovem a divisão, reforçando sua defesa pelo desarmamento global.
Após a benção, Francisco circulou entre os fiéis a bordo do papamóvel, sendo calorosamente saudado pelos presentes.
Celebrações reduzidas
Esta foi a primeira vez, desde sua eleição em 2013, que o papa não participou de forma integral das celebrações da Semana Santa. Francisco esteve ausente da tradicional Via Sacra no Coliseu, na sexta-feira, e da Vigília Pascal, no sábado à noite, ambas presididas por cardeais. Ainda assim, ele fez uma aparição simbólica na tarde de sábado (19), rezando diante de um ícone da Virgem Maria na Basílica de São Pedro e distribuindo doces a crianças que acompanhavam a cerimônia.
A missa do domingo de Páscoa, que celebra a ressurreição de Jesus Cristo, foi presidida pelo cardeal Angelo Comastri. Em uma coincidência rara, cristãos de diversas tradições — católicos, protestantes e ortodoxos — celebraram a data no mesmo dia, graças à sobreposição dos calendários gregoriano e juliano.