Partido Novo e expoentes do PL acionam Justiça Eleitoral por propaganda antecipada; críticos comparam exaltação carnavalesca à reunião com embaixadores que tornou Bolsonaro inelegível
O desfile da Acadêmicos de Niterói, que levou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a avenida, deflagrou uma ofensiva jurídica e política da oposição neste fim de semana de Carnaval. Lideranças da direita e do centro-direita classificaram a apresentação como um “espetáculo de propaganda estatal” financiado com recursos públicos, anunciando medidas que visam a inelegibilidade do petista para o pleito de 2026.
O movimento é liderado pelo Partido Novo e conta com o respaldo de figuras centrais do bolsonarismo, que veem um “dois pesos e duas medidas” no tratamento dispensado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aos atos do atual governo em comparação às ações da gestão anterior.
Ofensiva jurídica e “Campanha Antecipada”
O Partido Novo confirmou que formalizará uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) assim que o registro da futura candidatura de Lula for efetuado. Para a legenda, a homenagem ultrapassou os limites da manifestação cultural para se tornar um ilícito eleitoral.
“O desfile é uma peça de propaganda do regime Lula. Financiada com o seu dinheiro. Vamos à Justiça Eleitoral buscar a inelegibilidade”, declarou a sigla em nota oficial. Eduardo Ribeiro, presidente do partido, reforçou a tese: “O que denunciamos ao TSE está se confirmando ao vivo. […] A lei deve ser igual para todos”, afirmou.
Comparação com o caso Bolsonaro
O tom das críticas foi elevado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que estabeleceu um paralelo direto com a condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, no TSE. O parlamentar acusou o governo de “esfolar o povo com aumento de impostos” para financiar autopromoção.
“Jair Bolsonaro foi tornado inelegível, na mão grande, por uma reunião com embaixadores e por discursar num carro de som que não custou um centavo de dinheiro público. Isso não ficará impune! Vamos resgatar o nosso Brasil das mãos sujas do PT”, declarou o senador. No mesmo sentido, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou a suposta tolerância judicial: “Se esse desfile fosse em 2022, Bolsonaro estaria preso”.
Ironias e alusões à Lava Jato
O desfile também reabriu feridas da Operação Lava Jato. O senador Sérgio Moro (União-PR) classificou a apresentação como um abuso de poder digno de regimes totalitários.
“Faltou o carro da Odebrecht e do Sítio de Atibaia no desfile do Lula. Foi um deprimente espetáculo de abuso do poder, com enaltecimento de Lula, sem escândalos de corrupção, e com ataques aos adversários, tudo financiado pelo governo. A Coréia do Norte não faria melhor”, fustigou o ex-juiz.
Crítica à “Politização da Cultura”
No Senado, o líder do PL, Carlos Portinho (RJ), lamentou o que chamou de degradação da tradição carnavalesca. “Quando a cultura se mistura com a política, perde a cultura”, afirmou, defendendo que a escola de samba merecia, no mínimo, o “rebaixamento” pelo que classificou como ilícito eleitoral com dinheiro do contribuinte. Já o senador Cleitinho (Republicanos-MG) questionou a imparcialidade do Judiciário ao indagar “o que o STF teria feito” se a situação fosse inversa, com uma homenagem a Bolsonaro financiada pelo Estado.
(Fonte: Agência Estado)



