Rica em vitaminas, minerais e compostos bioativos, hortaliça tem potencial para auxiliar na prevenção de doenças crônicas, segundo especialistas
A beterraba, também chamada de betabel, destaca-se entre os vegetais de cor intensa não apenas pelo sabor adocicado e levemente terroso, mas também pelo valor nutricional. De acordo com a Fundação Espanhola de Nutrição (FEN), o alimento reúne compostos capazes de contribuir para a redução do risco de doenças crônicas, o que reforça seu papel em uma dieta equilibrada.
O tubérculo é fonte relevante de vitaminas e minerais essenciais, como vitamina C, vitamina B6, ácido fólico, magnésio, ferro e potássio. Também oferece fibras alimentares e substâncias vegetais com ação biológica, entre elas as betalaínas — responsáveis pela coloração característica — e os nitratos naturais.
Apesar dos benefícios, especialistas recomendam consumo moderado, sobretudo para pessoas com predisposição a cálculos renais, devido à presença de oxalatos.
Aliada da saúde cardiovascular
Um dos principais efeitos associados ao consumo de beterraba está relacionado ao sistema cardiovascular. Os nitratos naturais presentes no alimento favorecem a dilatação dos vasos sanguíneos, colaborando para a melhora da circulação e para a redução da pressão arterial.
Segundo Andy Jones, professor de fisiologia aplicada da Universidade de Exeter, no Reino Unido, pesquisas indicam que a ingestão regular pode provocar queda na pressão arterial sistólica. “A pressão arterial essencialmente tende a diminuir. E pode diminuir entre 3 e, às vezes, até 9 milímetros de mercúrio, no caso da pressão arterial sistólica. Se esse tipo de mudança ocorresse em toda a população, a incidência de eventos cardiovasculares adversos, como ataques cardíacos e acidentes cerebrovasculares, seria consideravelmente reduzida”, afirma o pesquisador, que há mais de uma década investiga os efeitos da beterraba no desempenho físico.
Benefícios para a função cerebral
A melhora do fluxo sanguíneo não se restringe ao coração. O óxido nítrico formado a partir dos nitratos também contribui para aumentar a irrigação do cérebro, fator associado à preservação da função cognitiva.
Estudos divulgados na National Library of Medicine (NIH) apontam possível efeito neuroprotetor do alimento, com impacto positivo na memória, especialmente entre adultos mais velhos. Esse mecanismo reforça o interesse científico na beterraba como parte de estratégias nutricionais voltadas ao envelhecimento saudável.
Desempenho físico e resistência
A beterraba também vem sendo associada à melhora do rendimento esportivo. Pesquisas indicam que o suco do vegetal pode favorecer a resistência e a velocidade, além de reduzir a sensação de fadiga.
Andy Jones explica que o efeito pode estar ligado à maior eficiência no uso do oxigênio pelos músculos. “Existe a possibilidade de que o músculo receba mais oxigênio e o distribua dentro de si de maneira mais eficiente devido aos efeitos do óxido nítrico”, diz.
O nutricionista Brayden Smith, da Banner Health, observa que atletas que incluem a beterraba na alimentação relatam menor cansaço durante os treinos. “Um melhor aporte de oxigênio da beterraba pode favorecer maior resistência durante o exercício cardiovascular e de força. Além disso, uma melhor circulação pode ajudar a reduzir a dor muscular após o exercício”, afirma.
Possíveis efeitos colaterais
Embora seja considerada segura para a maioria das pessoas, a beterraba pode provocar efeitos leves, como alteração temporária na coloração da urina e das fezes. Em alguns casos, também podem ocorrer desconfortos digestivos. Ainda assim, quando inserida de forma equilibrada na rotina alimentar, a hortaliça é vista como uma opção nutritiva e funcional.



