Agentes vestidos como personagens de seriado infantil prendem cinco suspeitos em flagrante no bairro República; estratégia de infiltração visa combater tráfico e furtos de celulares em meio à multidão
Em uma ação que misturou estratégia de inteligência e o lúdico das festas de rua, a Polícia Civil de São Paulo efetuou a prisão de cinco indivíduos durante os desfiles de blocos no último domingo (15/02). O que chamou a atenção não foi apenas a eficiência das capturas, mas o método: os policiais operavam infiltrados no público do Centro da capital vestindo fantasias de personagens icônicos como Chaves e Seu Madruga.
A tática de “policiamento disfarçado” permitiu que os agentes monitorassem suspeitos de perto, observando o modus operandi de criminosos sem levantar suspeitas em meio à folia na região da República.
Flagrantes entre confetes e serpentinas
A vigilância discreta resultou em três frentes de atuação distintas. Segundo balanço divulgado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), as abordagens ocorreram após os “personagens” identificarem comportamentos típicos de venda de entorpecentes e repasse de objetos ilícitos.
- Tráfico de Entorpecentes: Dois homens foram detidos portando cigarros de maconha. Em outra abordagem, um terceiro indivíduo foi flagrado com um estoque variado, incluindo pinos de cocaína, ampolas de lança-perfume e dinheiro em espécie.
- Receptação: Duas mulheres foram presas em posse de aparelhos celulares de origem criminosa, fruto de furtos ocorridos durante a aglomeração.
Os detidos e os materiais apreendidos — enviados posteriormente para perícia técnica — foram encaminhados para as delegacias do Bom Retiro (2º DP) e dos Jardins (78º DP).
A lógica da infiltração estratégica
A utilização de agentes à paisana ou fantasiados não é meramente recreativa. De acordo com a SSP, essa modalidade de trabalho é fundamental para identificar grupos organizados que se aproveitam de grandes eventos para cometer delitos rápidos, como o “puxão” de celulares e o microtráfico.
“A atuação disfarçada é complementar às demais estratégicas e permite identificar com mais precisão o modus operandi de grupos criminosos que se aproveitam de grandes eventos para praticar delitos”, reiterou a Secretaria em nota oficial.
Balanço da operação carnaval
Além do Centro, a Polícia Civil mantém equipes infiltradas em outros polos de folia, como o Ibirapuera, Consolação e Paraíso. O cerco contra a criminalidade durante os festejos de 2026 já apresenta números expressivos: até o momento, a operação na capital paulista já contabiliza 42 prisões.
A estratégia deve continuar durante todo o período de pós-Carnaval, com foco em áreas de alta concentração de público, visando garantir que o único “personagem” indesejado na festa seja o crime.



