Massa de ar quente e bloqueio atmosférico elevam temperaturas no Centro-Sul do Brasil, com recordes e riscos à saúde
Calor extremo no fim de dezembro
O encerramento de 2025 trouxe um cenário climático atípico e preocupante: uma onda de calor prolongada que atinge grande parte do Centro-Sul do Brasil. Desde o início da semana, temperaturas muito acima da média vêm sendo registradas em áreas do Sudeste, Sul e Centro-Oeste, em um padrão que combina persistência, recordes e impactos diretos sobre a saúde da população.
O que caracteriza a onda de calor
Meteorologistas classificam como onda de calor os períodos em que os termômetros permanecem pelo menos 5 °C acima da média por vários dias consecutivos. No episódio atual, iniciado em 22 de dezembro, os critérios foram plenamente atendidos, levando o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) a emitir um alerta laranja, válido até 26 de dezembro.
O aviso abrange oito Estados e indica risco elevado, já que o calor não se limita a picos isolados, mas se mantém de forma contínua, inclusive durante a noite e a madrugada, dificultando a recuperação do corpo humano e ampliando o desconforto térmico.
Recordes em capitais e interior
Em São Paulo, a capital registrou 35,9 °C no dia 25 de dezembro, a maior temperatura já observada para o mês desde o início das medições oficiais. O recorde anterior, de 35,6 °C, datava de 1998. No Rio de Janeiro, os termômetros chegaram a 41 °C, levando a prefeitura a acionar o nível 3 de calor em uma escala que vai até 5.
O fenômeno, entretanto, não se restringe às capitais. Regiões do interior do Sudeste, Sul e Centro-Oeste também enfrentam calor severo ou extremo, especialmente quando associado à baixa umidade do ar, o que amplia os riscos à saúde.
Por que o calor está tão intenso
A explicação central para o episódio atual está na presença de uma massa de ar quente e seco sobre o Centro-Sul, reforçada pela Alta Subtropical do Atlântico Sul. Esse sistema de alta pressão atua como bloqueio atmosférico, impedindo a chegada de frentes frias e mantendo o ar quente “preso” por vários dias.
Com menos nuvens e pouca instabilidade, o solo recebe mais radiação solar durante o dia e perde menos calor à noite, resultando em tardes escaldantes e madrugadas abafadas. Esse padrão clássico de onda de calor é agravado pelo contexto do início do verão, período naturalmente quente, mas potencializado pelo bloqueio atmosférico.
Estados mais afetados
O calor mais intenso se concentra no Sudeste, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. No Sul, Paraná e Santa Catarina enfrentaram os dias mais críticos durante o Natal, com expectativa de alívio gradual após a retomada das chuvas.
No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul e áreas do interior de Goiás registram calor persistente, acompanhado de pancadas isoladas de chuva típicas de dias abafados. Já no Norte e Nordeste, embora não estejam sob influência direta da onda de calor, o interior enfrenta temperaturas elevadas, enquanto o litoral se mantém relativamente mais ameno graças à ventilação oceânica.

Rio de Janeiro/Foto: Getty Images
Riscos à saúde e previsões
Segundo o Inmet, ondas de calor aumentam o risco de desidratação, exaustão térmica e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias. Idosos, crianças e pessoas com condições crônicas são os mais vulneráveis. As autoridades recomendam reforçar a hidratação, evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes e buscar ambientes ventilados.
A previsão indica que o calor deve persistir até o fim da semana, com possibilidade de manutenção das temperaturas elevadas até o domingo (28). A partir daí, mudanças graduais no padrão atmosférico podem permitir o avanço de sistemas de chuva mais organizados, trazendo algum alívio para parte do Centro-Sul.
(Com BBC News)



