Estudo revela nova abordagem para condições como lúpus, esclerose múltipla e reações alérgicas
Pesquisadores do Hospital Houston Methodist, nos Estados Unidos, identificaram uma proteína fundamental que pode evitar reações inadequadas do sistema imunológico. A descoberta, publicada no Journal of Clinical Investigation, sugere um novo alvo terapêutico para o tratamento de doenças autoimunes e alergias, incluindo lúpus e esclerose múltipla.
O estudo analisou o papel da proteína Apex1 na proteção do DNA das células imunológicas, verificando sua importância na multiplicação das células T. Essas células desempenham papel central em respostas autoimunes, desencadeando ataques contra o próprio organismo. Os cientistas constataram que a inibição ou remoção da Apex1 impediu a ativação dessas células, prevenindo danos típicos de doenças autoimunes e reações alérgicas. Testes em modelos animais de lúpus e esclerose múltipla indicaram que a ausência do gene associado à proteína bloqueou a manifestação dos sintomas.
“Ficamos surpresos com a potência de suprimir várias doenças autoimunes — não apenas na prevenção, mas também no tratamento, uma vez que as doenças já estavam estabelecidas, ao bloquear essa única molécula, a Apex1”, afirmou Xian Li, líder do estudo e diretor do Centro de Ciência em Imunobiologia e Transplante do Houston Methodist. Os pesquisadores observaram que a inibição da proteína levou à morte das células T nocivas, indicando que a Apex1 é essencial para a sobrevivência dessas células e pode ser explorada para eliminá-las quando indesejadas.
Maria Elisa Bertocco Andrade, diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), destacou a relevância do estudo por atuar em um ponto crítico do controle das células T. “É super interessante e potencialmente importante. Muitos imunossupressores agem em diversas células do sistema imune e podem ter efeitos adversos mais amplos.”
Apesar das perspectivas promissoras, Bertocco Andrade ressalta que são necessárias pesquisas adicionais. “Não se sabe se a Apex1 também afeta outros tipos de células imunológicas e como interage com outras vias de reparo, como a Apex2, na estabilidade genômica. Além disso, ainda não conhecemos completamente a extensão de sua atuação e os possíveis efeitos adversos de seu uso clínico.”
A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de novas terapias mais direcionadas e com menos efeitos colaterais, representando um avanço significativo no tratamento de doenças autoimunes e alérgicas.