Teerã formaliza resposta à proposta dos EUA, rejeita os termos iniciais e estabelece exigências para pôr fim ao conflito, em meio à intensificação da tensão diplomática.
A situação no Irã eleva o tom das negociações.
O Irã apresentou oficialmente sua resposta à proposta de paz articulada pelos Estados Unidos, composta por 15 pontos e encaminhada por meio do Paquistão, que atua como mediador. A manifestação ocorreu na noite de quarta-feira e, segundo uma fonte ouvida pela agência iraniana Tasnim, Teerã agora aguarda uma posição de Washington.
O comunicado surge um dia depois de a emissora estatal iraniana Press TV ter noticiado, com base em fontes governamentais, que o plano dos EUA havia sido rejeitado. Na ocasião, foram detalhadas também cinco condições consideradas essenciais pelo governo iraniano para o fim das hostilidades:
A cessação total das “agressões e assassinatos”;
A criação de mecanismos concretos “para garantir que a guerra não seja reimposta à República Islâmica”;
O pagamento de indenizações e compensações pelos danos causados;
A cessação do conflito em todas as frentes, incluindo o território libanês, diante da possibilidade de uma ofensiva terrestre israelense;
O reconhecimento de que “o exercício da soberania do Irã sobre o Estreito de Ormuz é e continuará sendo um direito natural e legal”.
A desconfiança marca a relação entre Teerã e Washington.
Segundo a Tasnim, essas exigências diferem daquelas apresentadas anteriormente durante a segunda rodada de negociações realizada em Genebra, antes do ataque conjunto promovido pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, episódio que marcou o início do conflito atual.
A mesma fonte classificou o recente anúncio de negociações por parte dos EUA como o “terceiro projeto fraudulento”, em referência a episódios anteriores em que ofensivas militares teriam ocorrido em paralelo com o diálogo diplomático.
Na avaliação iraniana, a estratégia americana teria três objetivos centrais: “enganar o mundo apresentando uma imagem conciliatória e um suposto desejo de pôr fim à guerra”; reduzir os preços internacionais do petróleo; e ganhar tempo para viabilizar uma nova ofensiva terrestre no sul do território iraniano.
“Se o Irã já tinha dúvidas sobre os resultados das negociações e o cumprimento dos acordos pelos EUA antes da Guerra dos Doze Dias [em junho de 2025], desde então, todas as dúvidas se refletem na intenção dos EUA de realmente negociar”, disse a fonte, acrescentando: “Os EUA iniciaram a guerra durante as negociações tanto na Guerra dos Doze Dias quanto na Guerra do Ramadã [28 de fevereiro] e, desta vez também, sob o pretexto de negociações, buscam preparar o terreno para um novo crime.”
Trump pressiona por acordo e intensifica a retórica.
Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, adotou um tom incisivo ao exigir celeridade nas negociações.
Segundo ele, os representantes iranianos estariam pressionando por um entendimento, embora afirmem publicamente que ainda estão avaliando a proposta.
“O Irã precisa ‘iniciar rapidamente’ negociações sérias com os Estados Unidos para pôr fim ao conflito”, disse Trump. Em uma publicação na plataforma Truth Social, ele acrescentou: “ERRADO!!”.
“É melhor você levar isso a sério rapidamente, antes que seja tarde demais; porque, quando isso acontecer, NÃO HAVERÁ VOLTA, e a situação não será nada boa!”, escreveu ele.
Ao mesmo tempo, o Pentágono autorizou o envio de aproximadamente 2.000 soldados adicionais para o Oriente Médio, ampliando a margem de manobra da Casa Branca em um cenário de escalada do conflito.
Sinais ambíguos e mediação internacional
Apesar da retórica agressiva, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, disse que havia “fortes indícios” de que Teerã poderia ser persuadida a aceitar um acordo.
“Veremos aonde isso nos leva e se conseguiremos convencer o Irã de que este é o ponto de inflexão, sem boas alternativas além de mais mortes e destruição. Temos fortes indícios de que isso é uma possibilidade”, disse ele durante uma reunião de gabinete.
Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, negou a existência de negociações formais em andamento com Washington, embora tenha reconhecido a troca de mensagens indiretas por meio de interlocutores regionais.
“Buscamos o fim da guerra em nossos próprios termos”, disse ele em entrevista à televisão estatal.
Entretanto, as autoridades paquistanesas têm evitado confirmar a realização iminente de reuniões diplomáticas de alto nível. O país mantém um papel central como mediador, alicerçado em suas relações históricas tanto com o Irã quanto com os Estados Unidos, bem como em sua influência regional.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, destacou que outras nações, como a Turquia e o Egito, também estão participando dos esforços diplomáticos. O Conselho de Cooperação do Golfo manifestou interesse em participar de possíveis negociações multilaterais.
( Com agências internacionais )
