Fenômeno acústico de baixa frequência, relatado desde 1990, intriga pesquisadores e causa desconforto físico em parte da população local
A pacata cidade de Taos, situada no estado do Novo México, nos Estados Unidos, é o cenário de um dos mistérios acústicos mais persistentes da atualidade. Há mais de três décadas, uma parcela da comunidade convive com o chamado “zumbido de Taos”, um ruído persistente de baixa frequência que, apesar de exaustivamente estudado, permanece sem uma explicação oficial ou origem identificada.
Impactos sensoriais e o perfil do fenômeno
Os relatos sobre o fenômeno ganharam corpo no início da década de 1990. Testemunhas descrevem o som como um murmúrio grave e constante, frequentemente comparado ao funcionamento de um motor a diesel em marcha lenta, ouvido a uma grande distância. O fenômeno é caracterizado por sua natureza seletiva: nem todos os habitantes conseguem percebê-lo, mas aqueles que o ouvem relatam que o barulho se torna mais nítido e perturbador durante o período noturno.
Além do incômodo auditivo, o zumbido está associado a uma série de efeitos adversos à saúde dos moradores mais sensíveis. É comum o registro de sintomas como enxaquecas persistentes, fadiga crônica e a sensação de vibração física, o que sugere que o fenômeno pode ter componentes infra-sônicos que interagem diretamente com o corpo humano.
Fracasso nas investigações e barreiras técnicas
Ao longo dos anos, Taos tornou-se um laboratório para cientistas e engenheiros acústicos. Em 1993, uma das investigações mais amplas foi conduzida na região, utilizando sensores de alta precisão para monitorar a atividade sísmica, variações nos campos eletromagnéticos e a movimentação do solo. No entanto, os resultados foram inconclusivos, não revelando qualquer anomalia geológica ou técnica que justificasse o som.
Outras frentes de pesquisa exploraram a possibilidade de interferência de linhas de transmissão de energia ou radiação, mas as medições não apresentaram níveis fora da normalidade. A principal dificuldade para a ciência reside no caráter intermitente do zumbido. Por não ser um som constante e uniforme, ele foge aos métodos tradicionais de captura e reprodução artificial, impedindo que os especialistas isolem a frequência exata para análise laboratorial.
Hipóteses industriais e o mistério sem solução
Analistas já tentaram traçar paralelos entre Taos e o caso de Kokomo, em Indiana, onde ruídos semelhantes foram eventualmente rastreados até sistemas de ventilação e compressores industriais. Naquela ocasião, intervenções técnicas em fábricas locais conseguiram reduzir o problema. Contudo, em Taos, a ausência de grandes complexos industriais próximos que operem em frequências compatíveis torna essa hipótese pouco provável.
Sem uma causa mecânica ou natural evidente, o zumbido permanece como um ícone da cultura local e um desafio para a física moderna. Enquanto o som continua a ecoar pelas noites do Novo México, Taos reafirma sua posição como um dos pontos geográficos mais enigmáticos do planeta, onde o limite entre a percepção subjetiva e a realidade física ainda aguarda uma resposta definitiva.



