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Terremoto em Juiz de Fora não agravou riscos de deslizamentos, afirmam especialistas após tragédia das chuvas

Redação
3 de maio de 2026 às 13:06
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Terremoto em Juiz de Fora não agravou riscos de deslizamentos, afirmam especialistas após tragédia das chuvas

Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um abalo sísmico de baixa magnitude registrado dias antes das enchentes que devastaram Juiz de Fora, em fevereiro, não teve relação direta com os deslizamentos que ceifaram vidas e deixaram centenas de desabrigados na cidade mineira

 

Segundo laudos preliminares de geólogos e engenheiros ouvidos pelo ClickNews, o tremor de terra, embora tenha chamado a atenção da população, não alterou a estabilidade das encostas já fragilizadas pela ocupação irregular e pela saturação do solo em decorrência das chuvas extremas.

Os especialistas destacam que o principal fator para os deslizamentos foi a combinação letal entre o volume recorde de precipitação — que superou a média histórica em mais de 300% em algumas regiões — e a ocupação desordenada em áreas de risco, como morros e encostas sem infraestrutura adequada. “O tremor foi um fenômeno pontual e não teve energia suficiente para desestabilizar encostas já comprometidas pela ação humana e pela água em excesso”, explicou o geólogo Carlos Eduardo Menezes, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Ocupação irregular e chuvas intensas: o cenário perfeito para a tragédia

Dados da Defesa Civil de Minas Gerais revelam que, em fevereiro, Juiz de Fora registrou mais de 400 mm de chuva em apenas 72 horas — um volume superior ao esperado para todo o mês. A enxurrada resultou em 12 mortes e deixou cerca de 2 mil pessoas desalojadas. Além disso, 85% dos deslizamentos ocorreram em áreas onde a ocupação humana avançou sobre territórios historicamente instáveis, como o bairro Granjas Betânia e a região do Morro do Imperador.

O engenheiro ambiental Rafael Oliveira, que integra a equipe de fiscalização da prefeitura, afirmou que, embora o tremor tenha sido monitorado pelo Observatório Sismológico da UFJF, sua magnitude (2.1 na escala Richter) não foi suficiente para causar danos estruturais significativos. “As encostas já estavam em um estado crítico devido à infiltração de água, que reduz a coesão do solo. O abalo sísmico, nesse contexto, foi apenas um gatilho adicional em um cenário já explosivo”, declarou Oliveira.

Autoridades descartam relação entre tremor e tragédia, mas cobram ações preventivas

O governo municipal de Juiz de Fora, em nota oficial, negou qualquer vínculo entre o abalo sísmico e os deslizamentos, reforçando que as causas principais foram as chuvas históricas e a ocupação irregular. A prefeitura anunciou, no entanto, a intensificação de fiscalizações em áreas de risco e a elaboração de um plano emergencial para realocar famílias em situação de vulnerabilidade. “Precisamos agir agora para evitar que uma nova tragédia ocorra. A prevenção não pode esperar”, afirmou o secretário de Meio Ambiente, Marcos Antônio Silva.

Enquanto isso, moradores de regiões afetadas relatam medo de novos deslizamentos, mesmo com a diminuição das chuvas. “A gente viu a terra tremer e, dias depois, a casa da vizinha desceu ladeira abaixo. Não dá para confiar mais na segurança dessas encostas”, desabafou Maria Aparecida Silva, 58 anos, moradora do bairro Santa Luzia, uma das áreas mais atingidas.

Imagem: Reprodução / g1.globo.com

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