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Tarifaço de Trump ameaça US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras; governo prepara crédito emergencial

Jeverson
16 de julho de 2026 às 19:33
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Tarifaço de Trump ameaça US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras; governo prepara crédito emergencial

Imagaem ilustrativa gerada por IA

Sobretaxa de 25% entrará em vigor em 22 de julho e alcançará cerca de 4 mil produtos; Planalto anuncia reforço ao Brasil Soberano e avalia reação pela Lei de Reciprocidade

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estima que a nova ofensiva tarifária dos Estados Unidos deverá alcançar 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Com base nos resultados comerciais de 2024, o volume de vendas afetado corresponde a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.

A sobretaxa adicional de 25%, anunciada pelo governo de Donald Trump, deverá entrar em vigor na próxima quarta-feira, 22 de julho. A medida abrange milhares de mercadorias brasileiras e amplia a tensão comercial entre os dois países, apesar da manutenção de exceções para segmentos considerados estratégicos.

Diante do impacto esperado sobre empresas exportadoras, o Executivo federal anunciou que reforçará o Plano Brasil Soberano, programa criado para oferecer financiamento e suporte aos setores prejudicados por restrições internacionais. O valor do novo aporte, as taxas de juros e os critérios de acesso ainda serão definidos.

Impacto diminui quando considerados os números de 2025

A estimativa de 18% foi calculada a partir da pauta de exportações brasileiras de 2024. Quando considerados os dados do ano seguinte, a proporção de mercadorias atingidas seria menor.

“Se nós considerarmos 2025, a participação desses setores atingidos por esse tarifaço indevido cai para 15% ou US$ 5,8 bilhões”, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

A diferença decorre de mudanças no fluxo comercial e da ampliação da lista de produtos preservados da nova cobrança. Ainda assim, o governo avalia que a medida poderá provocar perda de competitividade, cancelamento de contratos e redução das encomendas feitas por importadores norte-americanos.

Os setores mais expostos incluem produtores de açúcar, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos, vestuário e papel. Parte da indústria também teme que a sobretaxa leve empresas dos Estados Unidos a substituir fornecedores brasileiros por concorrentes de outros países.

Governo promete ampliar crédito aos exportadores

O Ministério da Fazenda informou que as equipes econômicas começarão a ouvir representantes dos setores afetados para dimensionar as perdas e estabelecer as condições do novo apoio financeiro.

A expectativa é que o governo utilize as estruturas já existentes no Brasil Soberano, evitando a criação de um programa inteiramente novo. O montante deverá ser inferior às etapas anteriores da iniciativa.

Em agosto de 2025, o Executivo disponibilizou R$ 30 bilhões para socorrer empresas atingidas pela primeira rodada de tarifas. Em março de 2026, outros R$ 15 bilhões remanescentes foram direcionados a exportadores prejudicados tanto pelas barreiras comerciais quanto pelos efeitos da guerra no Irã.

Além de crédito, o governo estuda instrumentos para facilitar a renegociação de dívidas, preservar empregos e estimular a busca por mercados alternativos. As condições definitivas serão apresentadas depois das consultas com empresários e entidades representativas.

Café, carne e aeronaves ficam fora da sobretaxa

Embora a cobrança alcance cerca de 4 mil produtos, Washington ampliou a relação de mercadorias isentas. Permaneceram fora da tarifa itens como carne bovina, café, terras raras, produtos energéticos, aeronaves e componentes destinados ao setor aéreo.

Também foram incluídos entre as exceções o ferro-gusa, sucata de aço empregada em fornos elétricos, café solúvel sem aromatização e mel orgânico. Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, as isenções cobrem aproximadamente US$ 11 bilhões em transações anuais.

Apesar da lista, representantes empresariais consideram que o acesso brasileiro ao mercado norte-americano continuará entre os mais restritivos. A preocupação é maior entre companhias cuja produção depende fortemente das vendas para os Estados Unidos e que possuem pouca margem para redirecionar mercadorias a outros destinos.

Brasil contesta justificativas apresentadas por Washington

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, afirmou que as tarifas foram adotadas com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. O governo Trump acusa o Brasil de manter práticas consideradas prejudiciais às empresas dos Estados Unidos.

Entre os pontos mencionados estão as regras brasileiras para serviços digitais, propriedade intelectual, comércio de etanol, proteção ambiental e o funcionamento do Pix. O governo brasileiro rejeita as acusações e sustenta que os argumentos apresentados não correspondem à realidade econômica e institucional do país.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a expansão do Pix não impediu o crescimento do mercado de cartões. Segundo ele, as operações com cartões de crédito avançaram 150% desde a implantação do sistema de pagamentos instantâneos.

Galípolo também destacou que o Banco Central mantém acordos de cooperação técnica com mais de 47 autoridades monetárias interessadas no desenvolvimento de plataformas semelhantes.

Na área ambiental, o governo brasileiro classificou como improcedente a alegação de que o país estaria favorecendo o comércio internacional de madeira extraída ilegalmente. Autoridades federais argumentam que os índices de desmatamento apresentaram redução desde 2023.

Planalto avalia aplicação da Lei de Reciprocidade

O governo brasileiro informou que iniciará os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, instrumento que permite a adoção de contramedidas diante de barreiras comerciais consideradas injustificadas.

A decisão sobre o momento e a extensão de uma eventual resposta caberá ao presidente Lula. O Executivo também pretende retomar o caso no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.

Em manifestação oficial, o Planalto classificou o anúncio norte-americano como um “marco lastimável” nas relações bilaterais. O governo argumenta que os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos.

Nos bastidores, autoridades avaliam medidas tarifárias e não tarifárias, procurando evitar iniciativas que pressionem a inflação ou prejudiquem cadeias produtivas nacionais. Entre as alternativas examinadas estão restrições relacionadas a remessas de dividendos, royalties e direitos de propriedade intelectual, embora nenhuma decisão tenha sido formalizada.

Negociações não impediram nova escalada

Representantes brasileiros afirmam que ocorreram mais de 30 reuniões entre autoridades dos dois países durante o período de negociação. Os encontros envolveram interlocutores dos níveis técnico, ministerial e presidencial, mas não foram suficientes para evitar a aplicação das tarifas.

Apesar do agravamento da disputa, o Brasil declara que continuará disponível para o diálogo. Washington também afirma que poderá retomar as negociações caso o governo brasileiro aceite discutir os pontos levantados pela investigação comercial.

O impasse ocorre em um momento de retração das vendas brasileiras aos Estados Unidos. No primeiro semestre de 2026, os embarques para o mercado norte-americano caíram 13%, enquanto as exportações totais do país cresceram 5,1% no mesmo período.

A prioridade imediata do governo será reduzir os prejuízos às empresas, proteger postos de trabalho e acelerar a abertura de novos mercados. Paralelamente, o Planalto busca definir uma reação que preserve os interesses comerciais brasileiros sem ampliar os efeitos econômicos da disputa.

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