Contexto histórico e metodologia da pesquisa
O estudo conduzido pela Futura/Apex entre os dias 4 e 8 de maio de 2026 entrevistou 2.000 brasileiros com idade igual ou superior a 16 anos, abrangendo todas as regiões do país. Com um intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 2,2 pontos percentuais, os resultados refletem um momento crítico na relação entre a sociedade e as instituições republicanas. Registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-03678/2026, o levantamento custou R$ 160 mil e faz parte de uma série histórica de avaliações periódicas sobre a percepção pública dos Poderes.
Reprovação ao STF atinge maioria absoluta da população
Os dados revelam que 54,3% dos entrevistados desaprovam o desempenho do Supremo Tribunal Federal, enquanto apenas 33,9% manifestam aprovação. Outros 11,7% não souberam ou não quiseram responder. A reprovação ao STF, instância máxima do Poder Judiciário, supera a média nacional de descontentamento com as instituições, indicando um esgotamento da confiança em um órgão central para a democracia brasileira. Historicamente, o STF tem sido alvo de críticas por decisões judiciais polêmicas, como a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018 e as recentes controvérsias envolvendo a interpretação da Lei de Improbidade Administrativa.
Congresso Nacional lidera ranking de insatisfação popular
O Poder Legislativo, representado pelo Congresso Nacional, obteve a pior avaliação entre os três Poderes: 60,1% de desaprovação contra apenas 26,1% de aprovação. Outros 13,8% não souberam ou não responderam. A reprovação ao Congresso não é um fenômeno recente; desde o início da década de 2010, a instituição enfrenta crises de legitimidade, agravadas por escândalos de corrupção, como a Operação Lava Jato, e pela percepção generalizada de ineficiência na aprovação de políticas públicas estruturantes. A atual legislatura, marcada por polarização e baixa produtividade legislativa, contribui para esse cenário de rejeição massiva.
Presidente da República enfrenta divisão de opiniões
No que tange ao Poder Executivo, a pesquisa aponta uma divisão mais equilibrada: 44,9% dos entrevistados aprovam o desempenho do presidente, enquanto 51,8% desaprovam. Essa disparidade reflete a polarização política que tem caracterizado o Brasil nos últimos anos, com setores da população divididos entre apoio incondicional e rejeição radical às políticas implementadas. A aprovação ao presidente, entretanto, ainda supera os índices de aprovação dos demais Poderes, sinalizando uma relativa resiliência do Executivo frente às crises institucionais.
Análise comparativa com pesquisas anteriores
Comparando esses resultados com levantamentos anteriores, observa-se uma tendência de queda na aprovação dos Poderes ao longo dos últimos anos. Em 2020, por exemplo, o STF registrava aprovação de 42% e desaprovação de 45%, enquanto o Congresso tinha 30% de aprovação e 55% de desaprovação. A evolução negativa reflete não apenas a insatisfação com governos específicos, mas um desgaste estrutural das instituições democráticas, agravado por crises econômicas, sanitárias e políticas. A pandemia de COVID-19, a inflação persistente e os casos de corrupção recorrentes são fatores que contribuem para esse cenário de desconfiança generalizada.
Impacto nas eleições de 2026 e perspectivas futuras
A reprovação massiva aos Poderes institucionais pode ter consequências significativas nas eleições de 2026, especialmente em um contexto de crescente desinteresse pela política tradicional. Partidos e candidatos que se apresentam como ‘outsiders’ ou críticos ao establishment podem capitalizar esse sentimento de rejeição, enquanto as instituições tradicionais enfrentam o desafio de recuperar a credibilidade. A curto prazo, a tendência é de um aumento na abstenção e no voto em branco ou nulo, fenômenos que já vêm se intensificando em pleitos recentes. A longo prazo, a estabilidade democrática depende de reformas estruturais que fortaleçam a transparência, a eficiência e a representatividade dos Poderes.
Conclusão: um chamado para a reforma institucional
Os dados da Futura/Apex não apenas confirmam a crise de legitimidade das instituições brasileiras, mas também servem como um alerta para a necessidade urgente de reformas que restaurem a confiança da população. Seja por meio de mudanças na legislação eleitoral, no sistema de controle da corrupção ou na transparência dos processos decisórios, o caminho para a reconstrução institucional passa necessariamente pelo diálogo entre sociedade civil, Poderes e atores políticos. Sem isso, o risco de um colapso ainda maior na democracia brasileira permanece uma possibilidade real e preocupante.




