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Ser ou Ter – Por Wilton Emiliano Pinto

Jeverson
20 de maio de 2026 às 10:16
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Ser ou Ter  – Por Wilton Emiliano Pinto
Divulgação / ClickNews

Vivemos num tempo estranho.
Um tempo em que o mundo parece nos empurrar o tempo inteiro, para a pressa, para o consumo, para a comparação, para uma corrida sem linha de chegada.

E quase nunca percebemos.

As vitrines estão por toda parte. Algumas feitas de vidro. Outras invisíveis.
A televisão sugere. O celular insiste. A propaganda seduz.
Tudo parece nos convencer de que ainda falta alguma coisa para sermos felizes.

Falta o carro novo.
Falta a roupa da moda.
Falta a viagem sonhada.
Falta a casa maior.
Falta mais dinheiro.

E assim seguimos correndo.

Corremos tanto atrás do TER, que acabamos esquecendo do SER.

Talvez essa seja uma das maiores armadilhas da vida moderna:

aprender cedo demais a comprar e tarde demais a sentir.

Porque existe uma diferença profunda entre possuir e existir de verdade.
O TER ocupa espaço.
O SER ocupa a alma.

Com o passar dos anos, a vida vai ensinando isso devagar, quase em silêncio.

E quem escuta essa lição descobre que a felicidade raramente mora nas coisas acumuladas.

Ela costuma nascer nos gestos simples, nos sentimentos sinceros e nas pequenas grandezas que o mundo quase nunca fotografa.

Quando penso nisso, lembro muito da vida antiga no interior.

Naquele tempo, quase ninguém tinha muito.
As casas eram simples.
Os móveis modestos.
As roupas sem luxo.

Mas havia uma riqueza invisível que hoje parece cada vez mais rara.

As portas permaneciam abertas.
Os vizinhos conversavam nos terreiros ao cair da tarde.
As crianças corriam descalças pelos quintais.
As famílias se reuniam ao redor da mesa sem pressa de terminar o jantar.

O leite vinha quente do curral.
O café recém-coado perfumava a cozinha.
O canto do galo anunciava a madrugada antes mesmo do sol nascer.
E o pôr do sol era um espetáculo gratuito que ninguém deixava de admirar.

Havia dificuldades, é verdade. Muitas.

Mas havia também presença.
Havia convivência.
Havia humanidade.

Ninguém precisava provar felicidade para os outros.
Ela simplesmente acontecia nas pequenas coisas.

Hoje, paradoxalmente, temos mais conforto e menos tranquilidade.
Mais tecnologia e menos diálogo.
Mais conexões e menos encontros verdadeiros.

As pessoas vivem cansadas.
Ansiosas.
Aceleradas.

Olham mais para telas do que para rostos.
Escutam pouco.
Sentem menos ainda.

E talvez isso aconteça porque o TER nunca se satisfaz.

Quem conquista uma coisa logo deseja outra.
A euforia dura pouco.
A novidade envelhece depressa.

O TER é passageiro.

Já o SER deixa marcas profundas.

Uma palavra amiga atravessa anos.
Um gesto de bondade nunca envelhece.

Uma presença amorosa continua viva na memória de alguém mesmo depois da partida.

Porque há coisas que o dinheiro compra, mas não sustenta.

Compra remédios, mas não devolve saúde.

Compra companhia, mas não garante amizade sincera.

Compra uma casa bonita, mas não constrói um lar.

Compra conforto, mas não produz serenidade.

Existem riquezas que não cabem em cofres.

Um abraço sincero vale mais do que muitos presentes caros.

Uma consciência tranquila faz dormir melhor do que qualquer luxo.

Uma conversa simples, cheia de afeto, às vezes ilumina um dia inteiro.

No fim da vida, dificilmente alguém se emociona lembrando do saldo bancário que teve ou do modelo do carro que dirigiu.

Mas muitos se emocionam ao recordar a voz da mãe chamando para o café…

a sombra de uma árvore antiga no quintal da fazenda…
uma tarde simples vivida ao lado do pai…um amigo que estendeu a mão num momento difícil…ou um instante qualquer que parecia pequeno, mas acabou se tornando eterno dentro da memória.

Porque são essas coisas que alimentam a alma.

O TER envelhece.
Desgasta.
Passa.

O SER permanece.

Talvez por isso tantas pessoas descubram, já tarde da vida, que passaram tempo demais construindo patrimônio e tempo de menos construindo memórias.

Os filhos cresceram.
Os pais envelheceram.
Os amigos partiram.
E certas oportunidades de amar não voltam mais.

O tempo, esse velho professor silencioso, acaba nos mostrando que a vida não pergunta apenas o que conquistamos.

Ela pergunta, sobretudo, quem nos tornamos ao longo da caminhada.

Fomos honestos?
Fomos generosos?
Fomos capazes de ouvir?
Fomos capazes de amar?
Fomos presença… ou apenas passagem?

No fundo, é essa a grande reflexão.

Porque quando o barulho da vida diminui, quando os anos avançam e o coração começa a revisitar sua própria história, quase tudo perde importância.

E então percebemos que a verdadeira riqueza nunca esteve naquilo que guardamos nas mãos.

Ela sempre esteve naquilo que carregamos dentro da alma.

Onde a memória encontra abrigo, Wilton faz nascer sentido.
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