Aeronave caiu em área residencial de Greenacres; brasileira de 20 anos integrava a tripulação como copilota
Um jatinho executivo que caiu em uma região residencial de Greenacres, no condado de Palm Beach, na Flórida, nos Estados Unidos, transportava quatro integrantes de uma mesma família, incluindo duas crianças, além de uma babá e duas amigas próximas. A identidade dos sete passageiros foi divulgada por meio de uma publicação no Facebook atribuída a uma das vítimas.
Entre os ocupantes estavam Adam Robinson, de 44 anos, Helen Sharp e os filhos do casal, Emma Robinson, de 4 anos, e Charlie Robinson, de apenas 2 anos. Também viajavam na aeronave Rachael Reed, Charmi Fehr e Anita Maria Cetina, que trabalhava como babá da família.
Apesar da divulgação dos nomes, as autoridades norte-americanas ainda não concluíram os procedimentos oficiais de identificação de todos os ocupantes. O administrador do condado de Palm Beach, Joseph Abruzzo, explicou que a complexidade do caso exigirá exames genéticos, o que poderá ampliar o prazo necessário para a conclusão dos trabalhos.
“As equipes estão trabalhando na coleta e na análise. Será necessário fazer alguns exames de DNA. É um processo demorado, então eu não tiraria nenhuma conclusão de imediato”, declarou Abruzzo durante uma coletiva de imprensa.
As operações de investigação também enfrentam dificuldades relacionadas às condições do local do acidente. De acordo com Timothy Montville, investigador responsável pelo caso, um dos principais obstáculos é a retirada dos destroços que ficaram concentrados na cratera formada após a colisão da aeronave contra o solo.
Jatinho havia decolado do Texas com destino às Bahamas
O avião envolvido no acidente era um Learjet 60, modelo utilizado na aviação executiva. A aeronave partiu do aeroporto de Austin, no Texas, às 9h36, pelo horário local, correspondentes às 12h36 em Brasília, e tinha como destino as Bahamas.
Informações disponibilizadas pela plataforma de rastreamento aéreo FlightRadar indicam que a última velocidade registrada durante a queda foi de aproximadamente 430 quilômetros por hora.
O impacto ocorreu em uma área residencial de Greenacres e provocou a formação de uma cratera, onde ficaram concentrados os destroços. A retirada desse material integra os procedimentos necessários para a investigação das circunstâncias do acidente.
Brasileira de 20 anos atuava como copilota da aeronave

Entre os integrantes da tripulação estava Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, brasileira e filha de pais brasileiros, que exercia a função de copilota do Learjet 60.
Apesar da pouca idade, Nathalia já havia construído uma trajetória na aviação. Aos 17 anos, conquistou sua licença de piloto particular antes mesmo de obter a carteira de habilitação para dirigir automóveis.
Naquele período, a jovem cursava o último ano do ensino médio na West Boca Raton High School, instituição localizada na Flórida. Sua experiência como estudante de aviação chegou a ser apresentada em uma reportagem da emissora norte-americana CBS12 News.
O primeiro contato mais aprofundado com a formação aeronáutica ocorreu em 2020, quando Nathalia começou a estudar os fundamentos teóricos da pilotagem. O interesse pela profissão também recebeu influência do pai, que tinha o hábito de pilotar aeronaves por lazer.
Ao longo da preparação, a jovem participou de aulas teóricas, atividades em simuladores de voo, treinamentos práticos e avaliações destinadas a comprovar seus conhecimentos técnicos.
Em setembro de 2023, conseguiu a licença de piloto particular, habilitação que representou uma etapa importante em sua formação.
Na ocasião em que concedeu entrevista à CBS12 News, Nathalia já acumulava 88 horas de voo. Com a certificação obtida, estava autorizada a conduzir aeronaves particulares sem a presença de outro piloto e também a transportar passageiros, desde que não recebesse remuneração pela atividade.
Formação de Nathalia teve apoio de programa educacional
A preparação da jovem para ingressar na aviação contou com financiamento do distrito escolar de Palm Beach County, responsável por oferecer oportunidades de formação profissional a estudantes da região.
Por meio de uma academia especializada em aviação, o programa disponibilizava aulas e treinamentos destinados a alunos do ensino médio interessados em desenvolver habilidades relacionadas à pilotagem.
A iniciativa permitiu que Nathalia tivesse acesso à formação técnica ainda durante a adolescência, contribuindo para que conquistasse sua primeira licença antes de concluir os estudos escolares.
O percurso acadêmico e profissional da brasileira demonstrava sua dedicação à carreira aeronáutica, que passou a fazer parte de sua rotina desde os primeiros treinamentos.
Regras dos Estados Unidos estabelecem requisitos para pilotos
A formação de profissionais da aviação nos Estados Unidos segue normas estabelecidas pela Administração Federal de Aviação (FAA), órgão responsável pela regulamentação e fiscalização do setor aeronáutico norte-americano.
Pelas regras da agência, a idade mínima para a obtenção da licença de piloto particular é de 17 anos. Para conquistar essa habilitação, o candidato precisa cumprir diferentes exigências, incluindo um mínimo de 40 horas de voo na modalidade regular de treinamento.
Além da experiência prática, é necessário demonstrar conhecimentos técnicos por meio de avaliações teóricas e comprovar habilidades de pilotagem em exames práticos.
Já a licença de piloto comercial pode ser obtida a partir dos 18 anos. Nesse caso, a regulamentação estabelece, em regra, a necessidade de pelo menos 250 horas de voo, além do cumprimento de outros critérios de formação e certificação.
Para trabalhar como copiloto em aeronaves executivas, como o Learjet 60, também podem ser exigidas habilitações adicionais, de acordo com as características do avião e a modalidade de operação realizada.
Jovem comemorou conquista profissional nas redes sociais
Além de investir na formação aeronáutica, Nathalia Gadelha Filgueiras utilizava as redes sociais para compartilhar registros de sua experiência na aviação e momentos relacionados ao desenvolvimento profissional.
Em março de 2026, a brasileira publicou uma fotografia feita na cabine de comando de um Learjet 60, mesmo modelo de aeronave envolvido no acidente na Flórida.
Na publicação, demonstrou entusiasmo ao anunciar uma conquista em sua trajetória como piloto.
“Piloto em comando do Learjet 60! Toda a glória a Deus! Amém!”, escreveu na legenda.
A postagem evidenciava a satisfação da jovem com os avanços alcançados na profissão, iniciada ainda na adolescência.
Enquanto isso, as autoridades norte-americanas prosseguem com os procedimentos de identificação das vítimas e com a análise dos destroços para esclarecer as circunstâncias da queda do jatinho.
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