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Preço do petróleo recua a patamar pré-guerra no Irã após acordo diplomático e redução de tensões

Redação
25 de junho de 2026 às 08:14
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Preço do petróleo recua a patamar pré-guerra no Irã após acordo diplomático e redução de tensões

Um navio navega pelas águas do Estreito de Ormuz— Foto: Bloomberg

O barril do petróleo tipo Brent está em queda constante devido ao aumento do fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz

 

O preço do petróleo entrou em trajetória de queda livre nesta semana, atingindo níveis não registrados desde o período imediatamente anterior à escalada militar entre os EUA e o Irã. Na manhã de hoje (25/06/2026), o barril do Brent, referência global, chegou a ser negociado a US$ 72,48 — valor idêntico ao da véspera dos ataques coordenados pelos EUA e Israel contra instalações iranianas em 28 de fevereiro de 2026. Após uma breve oscilação, o preço se estabilizou em US$ 72,63, ainda assim 12% abaixo dos picos observados durante o bloqueio do Estreito de Ormuz.

Recuo histórico coincide com reabertura parcial da principal rota de exportação energética

A queda acentuada nos preços reflete a normalização gradual do tráfego no Estreito de Ormuz, vital para o escoamento de 20% do petróleo global e 30% do gás natural liquefeito (GNL). Segundo dados da Kpler, empresa especializada em inteligência marítima, o volume de navios transacionando pela passagem — que inclui petroleiros, cargueiros de GNL e embarcações de fertilizantes — já supera os níveis pré-conflito. A reativação parcial da rota, ainda que com restrições de segurança, sinaliza um alívio nas tensões regionais após semanas de interrupção total das exportações iranianas.

Acordo de 60 dias reacende esperanças de desescalada, mas riscos persistem

O recuo nas cotações só se tornou possível após a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) entre Washington e Teerã em 17 de junho de 2026, que estabeleceu um cronograma de 60 dias para negociações voltadas ao desmantelamento do programa nuclear iraniano e à cessação das hostilidades. Como contrapartida, os EUA anunciaram a suspensão parcial das sanções ao petróleo iraniano, permitindo a exportação de até 500 mil barris diários — volume inferior aos 2,5 milhões de barris pré-guerra, mas suficiente para aliviar o mercado.

Apesar do otimismo temporário, analistas alertam para a fragilidade do acordo. “O MoU é um passo inicial, mas as divergências sobre o grau de fiscalização do programa nuclear iraniano permanecem intocadas”, afirmou Maria Fernanda Souza, pesquisadora do Centro de Estudos Estratégicos da Universidade de Brasília. “A reação do mercado sugere que os investidores ainda precificam um cenário de incerteza, especialmente diante das eleições presidenciais nos EUA previstas para novembro de 2026, que poderiam reverter a política de flexibilização atual.”

Impacto geopolítico e consequências para o Brasil

Para o Brasil, terceiro maior produtor de petróleo da América Latina, a queda nos preços representa uma oportunidade de reduzir os custos de importação de derivados, mas também ameaça a competitividade das exportações brasileiras para a Ásia, principal destino do óleo nacional. “Se a normalização do Estreito de Ormuz se consolidar, os preços tendem a se estabilizar abaixo de US$ 75, o que pode pressionar as margens de refinarias como a da Petrobras”, avaliou Gustavo Oliveira, economista da FGV Energia.

Enquanto isso, a comunidade internacional observa com cautela os desdobramentos das negociações em Genebra, onde representantes dos EUA e do Irã se reuniram no último fim de semana para discutir os termos do cessar-fogo. O prazo de 60 dias, embora curto, é visto como um teste crítico para a viabilidade de um acordo duradouro — ou, na pior das hipóteses, um prenúncio de nova escalada.

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