Contexto histórico: a ponte que define a identidade visual de Florianópolis
A Ponte Hercílio Luz, inaugurada em 13 de maio de 1926, não é apenas uma obra de engenharia – é o símbolo máximo de Florianópolis. Projetada pelo engenheiro alemão Theobaldo Kuerten e construída pela empresa americana American Bridge Company, a estrutura de 820 metros de comprimento e 33 metros de altura conectou definitivamente a Ilha de Santa Catarina ao continente, transformando a geografia e a dinâmica urbana da cidade. Durante décadas, foi a única ligação rodoviária entre a ilha e o mainland, até ser substituída pela Ponte Colombo Salles em 1975. Embora desativada para veículos desde 1991, a ponte foi restaurada e reaberta em 1997 como monumento histórico e pedestre, tornando-se um dos principais atrativos turísticos de Santa Catarina.
Técnica e arte: a década de experimentações fotográficas
Anderson Souza, 38 anos, é um dos fotógrafos mais experientes no registro da Ponte Hercílio Luz. Com uma década dedicando-se exclusivamente a capturar a essência desse monumento, Souza desenvolveu um domínio técnico impressionante sobre os elementos que compõem suas imagens: a estrutura metálica oxidada pelo tempo, o reflexo na Baía Sul, e a interação com a luz natural. “A ponte é um organismo vivo que muda a cada segundo”, afirma Souza. “O pôr do sol aqui não é apenas um evento astronômico, mas uma dança entre a luz, a sombra e a história que a estrutura carrega.”
Pontos estratégicos: onde posicionar a câmera para resultados excepcionais
Segundo Souza, a escolha do local é tão importante quanto o equipamento utilizado. O Mirante do Morro da Cruz, localizado a 1,5 km da ponte, oferece uma visão panorâmica que enquadra toda a estrutura contra o horizonte. “Nessa posição, a lente grande angular captura a amplitude da ponte em relação à cidade”, explica o fotógrafo. Outra perspectiva privilegiada é a Praia do Ribeirão da Ilha, onde a água da Baía Sul age como um espelho natural para os raios solares, criando reflexos que duplicam a beleza do monumento. Para composições mais íntimas, Souza recomenda o Píer da Praia do José Mendes, onde a proximidade com a estrutura permite explorar os detalhes da ferrugem e das nitidez das soldas originais.
Configurações técnicas: do equipamento à pós-produção
“A luz do pôr do sol na Ponte Hercílio Luz é imprevisível”, alerta Souza. Ele recomenda o uso de câmeras DSLR ou mirrorless com sensores de pelo menos 24 megapixels para capturar os mínimos detalhes da estrutura. Para garantir nitidez, é essencial utilizar um tripé robusto e disparadores remotos, evitando microvibrações. “As configurações ideais geralmente ficam entre ISO 100-400, velocidade de obturação entre 1/60s e 1/200s, e abertura de f/8 a f/11 para manter a profundidade de campo necessária”, detalha. Na pós-produção, Souza utiliza Adobe Lightroom para ajustes de balanço de branco e curvas, sempre preservando a textura original da ponte. “O objetivo não é criar uma imagem irreal, mas sim realçar a magia que já existe naturalmente.”
Desafios e recomendações para fotógrafos amadores
Os principais obstáculos enfrentados por fotógrafos iniciantes incluem a poluição visual de turistas e a luminosidade variável. Souza aconselha visitar o local pelo menos 30 minutos antes do pôr do sol para avaliar as condições de luz e escolher o enquadramento ideal. “A Ponte Hercílio Luz é um monumento que exige paciência. Um único clique pode não capturar sua grandeza; por vezes, são necessárias dezenas de tentativas para encontrar a composição perfeita”, revela. Ele também recomenda explorar ângulos alternativos, como fotografar a partir da Ilha de Santa Catarina em dias de mar calmo, onde a ponte se reflete na água como uma silhueta perfeita.
Impacto cultural e futuro da ponte centenária
A Ponte Hercílio Luz transcende sua função original para se tornar um ícone cultural. Em 2023, mais de 1,2 milhão de pessoas visitaram o monumento, segundo dados da Prefeitura Municipal. “Ela é mais do que uma ponte; é um cartão de visita que define a identidade visual de Florianópolis”, afirma a historiadora Maria Helena Cruz, especialista em patrimônio cultural. Com a comemoração do centenário em 2026, espera-se um aumento significativo no interesse turístico e fotográfico. Projetos de iluminação noturna já estão em andamento para valorizar ainda mais o monumento, criando novas possibilidades para fotógrafos noturnos.
Legado e convite à imortalização do patrimônio
Para Anderson Souza, a Ponte Hercílio Luz representa uma oportunidade única de conectar arte, história e natureza. “Cada foto que tiramos aqui é um testemunho visual da passagem do tempo sobre essa estrutura. É nosso dever, enquanto fotógrafos, registrar e compartilhar essa beleza para que as futuras gerações também possam se encantar”, conclui. Com mais de 50 mil imagens registradas, Souza disponibiliza workshops mensais para ensinar técnicas de fotografia de patrimônio, garantindo que a magia da ponte centenária continue a ser eternizada através das lentes.




