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Senado das Filipinas entra em lockdown após disparos durante audiência sobre ex-presidente Duterte

Redação
13 de maio de 2026 às 11:01
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Senado das Filipinas entra em lockdown após disparos durante audiência sobre ex-presidente Duterte

Foto: Redação Central

Contexto histórico e jurídico da crise

O lockdown do Senado filipino em 12 de outubro de 2025 reflete uma escalada de tensões políticas e jurídicas decorrentes das ações da administração Duterte (2016-2022), cujo legado central inclui a controversa ‘Guerra às Drogas’. Durante seu mandato, estima-se que mais de 6.000 suspeitos de tráfico tenham sido mortos em operações policiais, segundo relatórios da Anistia Internacional e da Human Rights Watch. Esses eventos agora são investigados pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) sob a acusação de crimes contra a humanidade, culminando na prisão de Duterte em março de 2025, enquanto aguarda julgamento em Haia.

Detalhes do incidente no Senado

Fontes internas do Senado filipino confirmaram à ClickNews que dois disparos foram ouvidos na manhã de segunda-feira, durante audiência da Comissão de Justiça e Direitos Humanos, que analisava o depoimento de testemunhas sobre operações extrajudiciais. O senador Risa Hontiveros, relatora do caso, relatou em comunicado que ‘os tiros visavam interromper os trabalhos e intimidar os presentes’. Equipes de segurança do Capitólio Nacional evacuaram imediatamente o prédio, enquanto a polícia metropolitana de Manila isolava a área. Autoridades ainda não identificaram os responsáveis, mas suspeitas recaem sobre grupos vinculados a Duterte ou ex-membros das forças de segurança.

Implicações políticas e reações internacionais

A situação no Senado ocorre em um momento de extrema polarização na Filipinas, onde aliados de Duterte controlam a Câmara dos Deputados e o judiciário local. O presidente atual, Bongbong Marcos, enfrenta pressões para equilibrar a cooperação com o TPI — exigida pelo direito internacional — e a resistência de setores nacionalistas que defendem a impunidade. Em nota, a União Europeia reiterou apoio às investigações do TPI, enquanto a China, tradicional aliada de Duterte, manteve silêncio diplomático. Analistas como o professor Richard Heydarian, da Universidade de Filipinas, destacam que ‘o incidente no Senado pode ser um divisor de águas: ou reforça o Estado de Direito ou desencadeia uma crise institucional’.

Antecedentes jurídicos e pressão do TPI

Desde 2021, o TPI investiga a ‘Guerra às Drogas’ sob a liderança da promotora Karim Khan. Em setembro de 2025, o tribunal emitiu mandado de prisão contra Duterte por ‘responsabilidade de comando’ em homicídios sistemáticos. Seu julgamento, previsto para 2026, será o primeiro envolvendo um ex-chefe de Estado asiático no TPI. Paralelamente, a Comissão de Inquérito das Filipinas (PHAIC) debate a reabertura de processos contra ex-agentes de segurança, o que poderia gerar novas acusações contra Duterte e seus aliados. Advogados de direitos humanos, como Chel Diokno, alertam para ‘risco de retaliação institucional’ contra magistrados e legisladores que apoiam as investigações.

Impacto na sociedade filipina e memória coletiva

A ‘Guerra às Drogas’ deixou marcas profundas: pesquisas do Social Weather Stations (SWS) indicam que 58% dos filipinos apoiam o julgamento de Duterte, enquanto 32% o consideram uma ‘perseguição política’. Comunidades afetadas, como os bairros pobres de Caloocan, relatam trauma persistente, com famílias de vítimas ainda aguardando reparação. A ativista Zara Alvarez, da Karapatan, afirmou que ‘o lockdown no Senado é um símbolo da fragilidade democrática: enquanto o mundo julga Duterte, seu legado de violência continua vivo nas instituições’.

Desdobramentos e cenários futuros

O governo Marcos enfrenta três possibilidades: 1) Ceder à pressão internacional e acelerar a extradição de Duterte para Haia; 2) Manter os processos internos, arriscando sanções internacionais; 3) Promover uma anistia retroativa, gerando protestos massivos. Especialistas como o jurista Antonio La Viña preveem que ‘a decisão de Marcos definirá se as Filipinas integram ou não a comunidade de nações que respeitam o direito internacional’. Enquanto isso, o Senado permanece em lockdown, com sessões suspensas até nova ordem, enquanto a polícia investiga a origem dos disparos e o paradeiro de possíveis atiradores.

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