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PF amplia investigação sobre R$ 468 mil apreendidos com Sóstenes Cavalcante e aponta inconsistências em versão apresentada pelo deputado

Jeverson
1 de julho de 2026 às 15:34
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PF amplia investigação sobre R$ 468 mil apreendidos com Sóstenes Cavalcante e aponta inconsistências em versão apresentada pelo deputado

© Lula Marques/Agência Brasil

Apuração identifica rede de empresas do setor imobiliário, movimentações milionárias em dinheiro vivo e suspeita de desvio de recursos públicos ligados à cota parlamentar.

PF rastreia origem de dinheiro apreendido e amplia foco das investigações

A Polícia Federal aprofundou as investigações sobre os R$ 468 mil em espécie apreendidos no ano passado em um imóvel ligado ao líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante. Segundo os investigadores, a apuração revelou uma estrutura empresarial considerada complexa e levantou suspeitas de possível desvio de recursos provenientes da cota parlamentar.

Os investigadores também apontam contradições entre os elementos reunidos durante a apuração e a explicação apresentada pelo parlamentar, que afirmou que o dinheiro teria origem na venda de um apartamento.

A nova fase da investigação foi deflagrada nesta quarta-feira e teve como ponto de partida as etiquetas bancárias encontradas junto ao dinheiro apreendido, o que permitiu à PF rastrear a circulação dos valores e identificar pessoas e empresas agora sob investigação.

Etiquetas bancárias levaram a empresas e empresários

De acordo com a Polícia Federal, o rastreamento das etiquetas conduziu à identificação de duas construtoras e de dois irmãos que administrariam um grupo empresarial com intensa movimentação financeira.

Durante as diligências, os investigadores relataram ter identificado uma “complexa movimentação financeira” envolvendo empresas que receberam recursos públicos e realizaram sucessivos saques em dinheiro vivo, circunstância que passou a ser considerada relevante para o avanço das investigações.

Quando os valores foram apreendidos, a PF adotou duas frentes de apuração: verificar a procedência das cédulas por meio das etiquetas bancárias e confrontar a justificativa apresentada por Sóstenes Cavalcante, segundo a qual o dinheiro seria resultado da negociação de um imóvel localizado em Minas Gerais.

Polícia diz não ter encontrado vínculo inicial com versão apresentada

Segundo os investigadores, em um primeiro momento não foi identificada qualquer relação entre os registros bancários das cédulas apreendidas e a suposta negociação imobiliária mencionada pelo deputado, tampouco com pessoas envolvidas na venda do imóvel.

Em contrapartida, o rastreamento dos valores levou à descoberta de um conjunto de empresas interligadas por movimentações financeiras consideradas atípicas. Para a PF, trata-se de um “complexo arranjo de sociedades empresariais, caracterizado por saques vultosos e uma movimentação financeira de elevada complexidade”.

Na avaliação dos investigadores, a estrutura financeira identificada apresenta características que podem indicar uma tentativa de ocultar a origem dos recursos movimentados.

Com base nesses indícios, a corporação solicitou novas diligências para esclarecer a finalidade das operações e verificar se o dinheiro encontrado com o parlamentar teria sido retirado em espécie por integrantes desse grupo empresarial.

Empresas e irmãos concentram movimentações milionárias

As investigações apontam que as empresas Ejus Empreendimentos Imobiliários e Foco Engenharia e Incorporações, ambas voltadas ao segmento da construção civil, são administradas por outra empresa registrada em nome de um dos irmãos investigados pela Polícia Federal.

Embora funcionem no mesmo endereço comercial, as duas empresas ocupam salas distintas. Ainda segundo a PF, a Ejus não possui funcionários formalmente registrados nem veículos cadastrados em seu nome.

Ao analisar a estrutura societária, os investigadores concluíram que um dos irmãos, Jonas Umbelino, controla uma ampla rede de empresas ligadas ao setor imobiliário e da construção civil, formando uma estrutura empresarial considerada extensa e ramificada, da qual fazem parte a Ejus e a Foco.

Já sua irmã, Jecy Umbelino, teria atuação direta na administração das operações financeiras do grupo.

Saques em espécie superam R$ 15 milhões, aponta investigação

Relatórios financeiros analisados pela Polícia Federal indicam que apenas duas das empresas investigadas realizaram 22 saques em dinheiro vivo, que somam aproximadamente R$ 4,7 milhões.

Ao ampliar a análise para todo o grupo empresarial ligado aos irmãos, a PF contabilizou 81 retiradas em espécie, totalizando R$ 15.542.386, todas efetuadas por Jonas ou Jecy Umbelino.

Na avaliação dos investigadores, o elevado volume de recursos sacados em dinheiro, a proximidade temporal entre as operações e o fato de os saques terem sido realizados pelas mesmas pessoas “reforçam o grau de suspeição sobre a dinâmica financeira do grupo”, conclusão que sustenta o avanço das investigações sobre a origem e o destino dos recursos.

( Com Folha de S.Paulo )

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