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Brasil corre contra o tempo para evitar sobretaxa de 37,5% em exportações aos EUA

Redação
1 de julho de 2026 às 14:45
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Brasil corre contra o tempo para evitar sobretaxa de 37,5% em exportações aos EUA
Divulgação / ClickNews

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) tem até as 23h59 desta quarta-feira (1º de julho de 2026) para encaminhar ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) uma manifestação formal contestando as alegações de práticas desleais no comércio bilateral. A acusação, divulgada em investigação preliminar, acusa o Brasil de prejudicar empresas americanas em seis frentes, incluindo o uso do Pix, falhas no combate à corrupção, desmatamento ilegal e taxações sobre etanol.

Setores no radar: de moedas digitais a commodities

Entre os pontos criticados pelo USTR, destacam-se:

  • Sistema de pagamentos Pix: Questionado por supostamente reduzir a dependência de instituições financeiras americanas em transações internacionais;
  • Desmatamento ilegal: Alegação de que políticas ambientais brasileiras incentivam a degradação florestal, impactando o comércio de commodities;
  • Taxação do etanol: Regras consideradas discriminatórias no mercado de combustíveis;
  • Combate à corrupção: Falhas apontadas na aplicação de leis contra fraudes em contratos públicos;
  • A Justiça brasileira: Ações judiciais contra plataformas digitais (como redes sociais e marketplaces) vistas como barreiras ao livre comércio.

Sobretaxas de até 37,5%: o que está em jogo

Caso o USTR mantenha as conclusões, os produtos brasileiros poderão sofrer alíquotas adicionais de 25% e 12,5%, somando 37,5% de sobretaxa. Setores como o sucroenergético (etanol), tecnologia (hardware e software) e agronegócio seriam os mais afetados. Em 2025, o Brasil exportou US$ 28,3 bilhões em bens para os EUA, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O governo brasileiro argumenta que as acusações são infundadas e que as políticas mencionadas — como o Pix e a fiscalização ambiental — estão alinhadas a padrões internacionais. “As alegações do USTR não refletem a realidade das políticas públicas brasileiras”, declarou uma fonte do Ministério da Economia ouvida pela ClickNews sob condição de anonimato.

Próximos passos: audiência e possíveis represálias

Após a fase de contestação escrita, o USTR convocará uma audiência pública oficial para debater as alegações com representantes brasileiros e stakeholders americanos. A decisão final sobre as sobretaxas deve ser anunciada em até 60 dias após o encerramento da investigação. Caso o Brasil seja penalizado, o país poderá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) ou adotar medidas retaliatórias, como sobretaxas a produtos americanos.

Enquanto isso, o setor privado brasileiro já aciona alertas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) enviou nota ao governo pedindo “medidas urgentes” para evitar prejuízos. “Uma sobretaxa dessa magnitude inviabilizaria a competitividade de produtos brasileiros nos EUA”, afirmou o diretor de Relações Internacionais da entidade.

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