Marcha para Jesus
O pastor Silas Malafaia, uma das principais lideranças evangélicas no Brasil e figura próxima ao ex-presidente Jair Bolsonaro, usou o palco da 19ª Marcha para Jesus — realizada na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, no último sábado (23.mai.2026) — para defender a tese de que ‘homens maus não podem estar no controle da nação’. Em uma mensagem carregada de retórica moral e política, Malafaia afirmou que líderes contrários aos ‘princípios da palavra [cristã]’ — como aqueles que apoiam o aborto, a ‘ideologia de gênero’ ou a ‘devassidão moral’ — estariam automaticamente impedidos de governar com legitimidade.
Discurso alinha-se ao tema oficial da Marcha: ‘o poder da decisão’
A 19ª edição do evento, promovido pela igreja Renascer em Cristo e que reuniu cerca de 300 mil pessoas segundo estimativas da organização, teve como eixo central o tema ‘o poder da decisão‘. Malafaia, no entanto, direcionou suas críticas para além do âmbito pessoal, conectando a liberdade de escolha individual a uma suposta ‘obrigação moral’ de alinhamento com valores cristãos em decisões políticas e sociais. ‘O comunista é comunista em casa, no trabalho, na eleição’, declarou o pastor, em uma referência indireta aos seus adversários ideológicos.
Críticas a pautas progressistas e apelo ao eleitorado evangélico
Em seu discurso, Malafaia não apenas reafirmou posições contrárias ao aborto e à igualdade de gênero, como também vinculou essas pautas a uma suposta ‘ameaça à nação’. A fala reforça a estratégia de mobilização do eleitorado evangélico, especialmente em um cenário político brasileiro marcado por polarização e disputas religiosas. A participação de Malafaia, um dos principais nomes da bancada evangélica no Congresso, sinaliza a continuidade da influência desse segmento nos rumos do país — ainda mais em um contexto pré-eleitoral.
Contexto político e repercussão
O discurso ocorre em um momento de tensão política, com o ex-presidente Jair Bolsonaro — com quem Malafaia mantém laços estreitos — ainda como figura central no debate público, apesar de suas recentes derrotas eleitorais. A Marcha para Jesus, tradicionalmente um espaço de articulação entre lideranças religiosas e poder político, consolidou-se como um evento estratégico para a projeção de pautas conservadoras. A fala de Malafaia, portanto, não apenas reflete uma posição doutrinária, mas também uma estratégia de engajamento político-religioso para as próximas disputas.




