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O Nó da Volta – Por Wilton Emiliano Pinto

Jeverson
23 de maio de 2026 às 13:46
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O Nó da Volta – Por Wilton Emiliano Pinto
Divulgação / ClickNews

Outro dia, passando pela Avenida T-2, setor Bueno, em Goiânia, algo me fez diminuir a velocidade dos pensamentos.

Nem foi o trânsito.
Nem o sinal fechado.
Nem o movimento daquela tarde de céu aberto sobre Goiânia.

Foi uma árvore.

Ela estava ali, no canteiro central, cercada de carros, fumaça, buzinas e gente correndo atrás da própria vida.

Uma árvore diferente. Dessas que fazem a gente olhar duas vezes.

Seu tronco descia em direção ao chão como quem perdera as forças.

Em certo ponto, parecia vencida pelo tempo.

Curvada. Quase caída.

Mas então fazia uma volta sobre si mesma, formando um nó estranho, parecido com um oito inacabado, ou uma parte do símbolo do infinito que a natureza deixou incompleto de propósito.

Um infinito silencioso desenhado pela própria luta.

E depois daquele abraço torto em si própria, voltava a subir.

Subia novamente em direção ao céu.

Fiquei olhando aquilo por alguns instantes.
E quanto mais olhava, menos via uma árvore.

Via a vida.

Porque a existência raramente cresce em linha reta.

Quando somos jovens, acreditamos em caminhos simples. Imaginamos que os sonhos seguirão intactos, obedecendo aos nossos planos.

Mas o tempo chega.

Os ventos aparecem.

As perdas nos encontram sem pedir licença.

E a vida nos dobra.

Alguns são entortados pela doença.
Outros pela saudade.
Outros pelas decepções que nunca imaginaram viver.

Há momentos em que a alma quase toca o chão.

Talvez o mais bonito naquela árvore seja justamente isso:

ela não esconde que sofreu.

Seu tronco carrega a marca da luta.

Não existe ali a beleza perfeita dos jardins planejados.

Existe resistência.

Ela poderia ter secado.
Poderia ter desistido.
Poderia ter parado exatamente naquela curva escura da existência.

Mas continuou.

E há nisso uma lição silenciosa que poucos percebem na pressa da Avenida T-2.

Tudo ao redor parece feito para correr.
As pistas seguem retas.
Os carros obedecem a faixas.

Os prédios sobem geometricamente organizados.
As lojas anunciam novidade, velocidade, movimento.

Mas justamente a única coisa verdadeiramente viva daquele canteiro é torta.

E talvez aí esteja uma das maiores verdades da vida.

As pessoas mais humanas quase sempre são aquelas que passaram pelas curvas mais difíceis.

As que carregam cicatrizes invisíveis.

As que aprenderam a suportar o peso dos dias sem deixar morrer completamente a esperança.

Do lado da avenida, um colégio recebe jovens carregando sonhos, medos e inseguranças.

Alguns acreditam saber exatamente para onde estão indo.

Outros já se sentem perdidos cedo demais.

E no meio daquela correria inteira, a árvore permanece.

Firme dentro da própria imperfeição.

Ela não voltou a ser como antes.
Não recuperou a forma original.
Não apagou as marcas do que viveu.

Apenas continuou crescendo com aquilo que a vida fez dela.

Existe também uma profunda lição espiritual nisso tudo.

Deus não exige que atravessemos a existência sem quedas.

Nem espera de nós uma caminhada impecavelmente reta.

Muitas vezes, o crescimento da alma nasce justamente depois das grandes curvas.

Há pessoas que só aprendem compaixão depois da dor.

Outras só descobrem a fé depois do sofrimento.

E algumas só encontram a si mesmas depois de quase terem se perdido completamente.

Talvez seja por isso que aquela árvore continue viva.

Porque ela compreendeu antes de muitos de nós uma verdade difícil de aceitar:

Dobrar-se não é morrer.

Carregar cicatrizes não impede ninguém de continuar subindo.

No fim da tarde, quando o sol dourava o asfalto da Avenida T-2, a sombra daquele nó se desenhava silenciosamente sobre a pista.

E olhando bem, parecia uma seta apontando para dentro da gente.

Como se dissesse silenciosamente a cada pessoa que passa apressada por ali:

A vida pode até entortar os caminhos.

Mas enquanto houver raiz, ainda haverá céu.

Wilton observa as curvas da vida e encontra, nas cicatrizes do caminho, razões silenciosas para continuar subindo.
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