Javier Milei elevou novamente o tom contra Luiz Inácio Lula da Silva e aprofundou a crise diplomática entre Argentina e Brasil ao repetir insultos diretos ao presidente brasileiro. Em entrevista gravada neste domingo (2), o chefe de Estado argentino voltou a se referir a Lula como “ladrão”, “corrupto” e “presidiário”, além de acusá-lo, sem provas, de interferir na política argentina e de financiar campanhas adversárias.
Ataques ganham nome e sobrenome
Na conversa exibida pelo canal LN+, Milei insistiu nas ofensas e afirmou: “Eu menti?”, perguntou Milei, para, na sequência, disparar: “É ladrão! É ladrão! É um ladrão, é um corrupto. Foi condenado (…) Foi preso. Portanto, também presidiário. E o libertaram por uma falha administrativa do procedimento; não por ser inocente. Portanto, é ladrão, é corrupto”, acusou Milei numa entrevista ao canal LN+, gravada neste domingo (2) na Casa Rosada, sede do governo argentino.
Questionado sobre o tom adotado, ele respondeu que “é muito mais leve chamar de ladrão o ladrão do que o próprio ato de roubar”. Depois, acrescentou: “Eu respondo com a verdade ao senhor Lula que se sente ofendido se o chamo de “chorro” (gíria argentina para “ladrão”), de ladrão. Mas é um ladrão! Quando digo que é um presidiário, é porque foi presidiário e só saiu por um recurso administrativo; não por ser inocente”, insistiu Milei.
Momento de tensão
As declarações ocorreram no mesmo período em que o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, estava prestes a voltar a Buenos Aires, após ter sido chamado a consultas em Brasília uma semana antes. Na diplomacia, esse gesto sinaliza forte insatisfação e costuma anteceder momentos de elevada tensão nas relações bilaterais.
A escalada, no entanto, não arrefeceu. Milei, que no sábado (25) já havia atacado Lula em São Paulo durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, decidiu no domingo intensificar a ofensiva e mencionar o presidente brasileiro diretamente.
Acusação sem provas
Entre as alegações renovadas, o argentino repetiu uma acusação sem evidências de que Lula teria investido “um bilhão de dólares” na campanha presidencial argentina de 2023, em apoio ao peronista Sergio Massa. O presidente argentino também afirmou que sua crítica a Lula seria uma forma de “defesa do povo brasileiro”.
“Eduardo Bolsonaro contou que o senhor Lula pôs um bilhão de dólares na Argentina na campanha de Massa para me atacar. Além disso, (Lula) pôs um grupo de assessores brasileiros (na campanha de Massa). Então, a esses que me acusam de interferência política digo que, se há alguém que interfere politicamente na região, é Lula, contaminando, com as ideias imundas do socialismo, todos os lugares”, acusou Milei.
Bolsonaro e Moraes
Milei também voltou a relacionar Lula à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que a punição teria sido “teledirigida por Lula”. Em tom exaltado, disse: “Não é a mesma coisa porque eu fui ao Brasil, mas não ataquei os brasileiros. Fui em defesa dos brasileiros de bem. Eu falei sobre Lula, o corrupto, o ladrão, o presidiário. E falei do juiz que mete preso pessoas com as quais não comunga ideologicamente, que faz uma perseguição teledirigida por Lula”, diferenciou Milei, em tom exaltado, ignorando que a maioria dos brasileiros elegeu Lula.globo+2
Questionado sobre eventual tentativa de agradar Donald Trump, Milei negou. “Eu faço isso porque sou um defensor das ideias da liberdade”, defendeu.
Campanha contra a Argentina
Na sequência, Milei afirmou que o Brasil teria impulsionado uma campanha “anti-Argentina” nas redes sociais, associada a acusações de racismo contra o país. Desta vez, o presidente argentino incluiu também México, Estados Unidos e Espanha entre os supostos participantes da articulação.
“Toda a campanha contra a Argentina foi motorizada pelo Brasil”, acusou Milei. “Com dinheiro para ‘influencers’, atores e outros. Foi o Brasil. O Brasil em primeiro lugar. Em segundo lugar, o México. Em terceiro lugar, os Estados Unidos, o Partido Democrata. E a Espanha de Pedro Sánchez. Usaram a estrutura do Mundial (de futebol) para dizerem essa barbaridade de racismo”, apontou Milei, dizendo que os envolvidos depois viajam à Argentina e usam os serviços públicos do país.
Ele ainda insistiu: “São os que vêm para cá para fazer terrorismo. Gente que vem de fora, usa os serviços da Argentina e que se dedica a uma campanha anti-Argentina”, sugerindo uma conspiração internacional.
Restrição a estrangeiros
A fala ocorre dois dias depois de Milei ter editado decreto alterando a Lei de Migrações para endurecer regras contra estrangeiros que promovam mensagens de ódio ou atentem contra símbolos nacionais. O texto prevê proibição de entrada, cancelamento de residência e expulsão em determinados casos.
Confrontado com a hipótese de aplicar ao próprio caso uma regra semelhante, o presidente argentino respondeu: “Não é a mesma coisa porque eu fui ao Brasil, mas não ataquei os brasileiros. Fui em defesa dos brasileiros de bem. Eu falei sobre Lula, o corrupto, o ladrão, o presidiário. E falei do juiz que mete preso pessoas com as quais não comunga ideologicamente, que faz uma perseguição teledirigida por Lula”, repetiu.
Ao final, Milei reafirmou ser contrário ao uso de serviços públicos argentinos por estrangeiros. “Não somos contra a imigração. Este é um país formado por imigrantes. O problema é que, se temos um estado de bem-estar, todos pagam. Se alguém de fora usar os seus serviços, você está pagando a conta do outro. Isso não está bem”, criticou.




