Estimativas indicam aumento da mortalidade e reforçam necessidade de ampliar diagnóstico e tratamento
O número de diagnósticos e de mortes por câncer de mama pode registrar um crescimento de até 40% nos países de baixa e média renda até 2050, conforme projeções da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS). O cenário leva em consideração a manutenção das tendências atuais e fatores como o envelhecimento da população, mudanças no perfil epidemiológico e as dificuldades persistentes de acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento.
No Brasil, as estimativas elaboradas pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam para aproximadamente 781 mil novos casos anuais da doença durante o período entre 2026 e 2028. A partir desses dados, o Ministério da Saúde traçou projeções sobre a evolução da mortalidade até meados deste século.
Mortalidade pode aumentar nas próximas décadas
Documento encaminhado pelo Ministério da Saúde ao Congresso Nacional aponta que o país poderá enfrentar uma elevação significativa nas taxas de mortalidade caso o cenário atual permaneça inalterado.
“Para a mortalidade geral, estima-se aumento da taxa de 17,7 óbitos por 100 mil mulheres em 2025 para 22,1 óbitos por 100 mil mulheres em 2050. Já para a mortalidade prematura (30 a 69 anos), projeta-se elevação de 23,2 óbitos por 100 mil mulheres em 2025 para 27,4 óbitos por 100 mil mulheres em 2050”, diz documento enviado ao Congresso ao qual R7 Planalto teve acesso.
Ainda segundo o texto oficial, “as projeções foram calculadas a partir das tendências históricas observadas nas séries temporais e devem ser interpretadas como estimativas epidemiológicas condicionadas à manutenção do padrão atual de evolução da mortalidade”.
O ministério ressalta, entretanto, que esse panorama pode ser alterado com a ampliação das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da doença.
“Mudanças na cobertura de rastreamento mamográfico, na prevenção e acesso ao diagnóstico oportuno, no tratamento e na implementação mais efetiva de políticas públicas de controle do câncer de mama podem alterar os cenários projetados”, pontua.
Tempo de espera para tratamento preocupa
Dados já divulgados mostram que, entre 2023 e 2025, mais da metade das mulheres diagnosticadas com câncer de mama aguardaram mais de dois meses para iniciar o tratamento, período superior ao recomendado para garantir melhores chances de sucesso terapêutico.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde estabeleceu metas para reduzir o tempo de espera no Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os objetivos estão diminuir em 10% a mortalidade prematura causada pelo câncer de mama entre mulheres de 30 a 69 anos até 2030 e ampliar para 8% o percentual de mulheres entre 50 e 69 anos cadastradas na Atenção Primária à Saúde (APS) que tenham realizado mamografia nos últimos 24 meses até o fim do próximo ano.
Ministério destaca ampliação das ações no SUS
Ao comentar as estratégias adotadas para o enfrentamento da doença, o Ministério da Saúde afirmou que “vem ampliando as ações de enfrentamento ao câncer de mama no SUS”.
Segundo a pasta, somente no ano passado foram realizadas cerca de quatro milhões de mamografias pela rede pública, além da ampliação da faixa etária contemplada pelos exames, que passou a atender mulheres entre 40 e 74 anos.
“Na etapa de diagnóstico, foram realizadas no ano passado 4 milhões de mamografias pelo SUS, com ampliação da faixa etária de quem pode fazer o exame para 40 a 74 anos. Segundo a pesquisa Vigitel de 2025, 92% das mulheres de 50 a 59 anos afirmaram ter realizado mamografia”, disse.
Teste genético será incorporado ao SUS
Outra medida anunciada pelo governo federal é a oferta de um exame genético voltado à identificação de mutações hereditárias associadas ao câncer de mama.
“Nos próximos meses, mulheres com câncer de mama atendidas pelo SUS passarão a ter acesso a um teste genético de alta precisão capaz de identificar mutações hereditárias ligadas à doença, que identifica mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 e indica predisposição hereditária aumentada à doença. Após realizar esse teste, a atriz americana Angelina Jolie descobriu ser portadora da mutação no BRCA1 e realizou uma mastectomia preventiva”, acrescenta.
Carretas de saúde e mutirões ampliam atendimento
Entre as ações implementadas pelo Programa Agora Tem Especialistas, o Ministério da Saúde informou que 93 Carretas de Saúde estão percorrendo o país para ampliar o acesso à realização de mamografias.
De acordo com a pasta, a iniciativa também contribuiu para eliminar filas de exames de imagem, oncológicos e oftalmológicos em 40 regiões de saúde.
“No total, as carretas já realizaram mais de 787 mil procedimentos. O maior mutirão da história voltado a saúde da mulher registrou 230 mil atendimentos em um fim de semana, mobilizando mais de 200 hospitais públicos e filantrópicos”, afirmou.
Novos medicamentos e expansão da radioterapia
O Ministério da Saúde informou ainda que o SUS passou a disponibilizar o trastuzumabe entansina, medicamento indicado para pacientes com câncer de mama do tipo HER2 positivo e que pode reduzir em até 50% a mortalidade relacionada à doença.
“O Ministério da Saúde também regulamentou a Assistência Farmacêutica Oncológica, que vai viabilizar a oferta de 23 novas tecnologias para o tratamento do câncer, incluindo o abemaciclibe, indicado para alguns casos de câncer de mama. Os novos tratamentos contarão com investimentos federais de R$ 2,2 bilhões”, detalhou.
Além disso, a pasta destacou investimentos na estrutura da rede pública de radioterapia, incluindo a aquisição de novos equipamentos.
“Esses equipamentos permitiram a inauguração de novos centros de radioterapia em 12 unidades federativas. Das soluções previstas no Plano de Expansão da Radioterapia no SUS, 86 já estão em funcionamento. A previsão é que todas as soluções sejam concluídas até o fim de 2026”, assegurou.
Governo afirma que rede oncológica segue em expansão
Por fim, o Ministério da Saúde reforçou que a assistência aos pacientes oncológicos depende da atuação conjunta entre União, estados e municípios, com investimentos voltados ao fortalecimento da rede pública.
“A organização da assistência oncológica é feita em parceria entre União, estados e municípios. O Ministério da Saúde define políticas, financia ações e amplia a capacidade da rede, enquanto os gestores locais organizam os serviços de atendimento. A pasta mantém a articulação com os gestores para qualificar a assistência. No ano passado, o SUS alcançou um recorde histórico, com a realização de quase 7 milhões de procedimentos de quimioterapia até novembro, o que representa um crescimento aproximado de 80% em comparação a 2022”, finaliza.




