Um dia após o presidente norte-americano Donald Trump anunciar que as negociações de paz com o Irã avançam de forma “ordenada e construtiva”, os mercados asiáticos responderam com otimismo expressivo, registrando altas generalizadas e um marco histórico na Bolsa de Tóquio
Nikkei atinge recorde histórico com rally de chips e energia
O índice Nikkei 225 encerrou a sessão com alta de 2,87%, fechando em 65.158,19 pontos — maior nível desde sua criação. O movimento foi liderado por ações do setor de semicondutores, com destaque para a Kioxia Holdings (+14%) e Lasertec (+13%), refletindo a expectativa de retomada da demanda global por componentes eletrônicos em meio à estabilização geopolítica.
A valorização das ações japonesas ocorreu em paralelo à queda de 3,5% no preço do petróleo Brent, que negociou abaixo de US$ 100 por barril pela primeira vez desde março de 2024. A perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz — vital para o escoamento de 20% do petróleo global — reduziu os riscos de escassez no abastecimento, aliviando pressões inflacionárias em economias dependentes do insumo.
China e Taiwan registram altas moderadas, enquanto Coreia e Hong Kong paralisam
Na China continental, o Shanghai Composite avançou 0,96%, atingindo 4.152,57 pontos, enquanto o Shenzhen Composite subiu 0,94%, fechando em 2.889,55 pontos. Em Taiwan, o Taiex disparou 3,26%, encerrando em 43.644,40 pontos, impulsionado por exportadores de tecnologia beneficiados pela redução dos riscos geopolíticos.
Já a Coreia do Sul e Hong Kong não operaram devido a feriados locais, limitando o alcance da onda positiva em outros mercados da região.
O que está em jogo além dos mercados?
A eventual normalização das relações EUA-Irã não se resume a um acordo comercial: trata-se de um efeito cascata que pode reconfigurar cadeias globais de suprimentos. O alívio no preço do petróleo, por exemplo, tende a reduzir custos de produção na Ásia, beneficiando indústrias intensivas em energia, como a automotiva e a química.
Entretanto, analistas alertam que a volatilidade persiste. “A assinatura de um pacto definitivo ainda depende de concessões mútuas em temas sensíveis, como o programa nuclear iraniano e sanções norte-americanas”, destaca a economista sênior do Instituto de Estudos Econômicos da Ásia, Dra. Mei Lin. “Até lá, os mercados oscilarão conforme novos sinais de progresso ou retrocesso nas negociações.”




