Washington fala em proposta “sólida”, enquanto Teerã nega acordo iminente
Expectativas de cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz
O governo dos Estados Unidos afirmou nesta segunda-feira (25/5) que há “uma proposta bastante sólida sobre a mesa” para um acordo com o Irã, segundo o secretário de Estado Marco Rubio. A iniciativa prevê a prorrogação de um cessar-fogo por 60 dias e a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial.
“Ainda estamos trabalhando”, declarou Rubio durante visita oficial à Índia. A fala ocorreu após o presidente Donald Trump reforçar que havia instruído sua equipe a “não se apressarem em fazer um acordo”.
Reações do mercado e posição iraniana
A possibilidade de entendimento repercutiu nos mercados: o preço do petróleo recuou e bolsas asiáticas registraram alta. No entanto, Teerã negou que a assinatura esteja próxima.
“É correto dizer que chegamos a uma conclusão sobre grande parte das questões em discussão”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei. “Mas dizer que isso significa que a assinatura de um acordo é iminente… ninguém pode fazer tal afirmação.”
Baghaei acrescentou que o Irã continuará cobrando taxas pelo tráfego marítimo no estreito. “Os serviços prestados — serviços de navegação, além das medidas necessárias para proteger o meio ambiente do estreito de Ormuz, do Golfo Pérsico e do Mar de Omã — exigem a cobrança de certas taxas”, disse.
Divergências internas nos EUA
Apesar do otimismo de Rubio, republicanos criticaram a proposta. O senador Ted Cruz classificou o possível acordo como “um erro desastroso”. Roger Wicker, presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, afirmou que um cessar-fogo de 60 dias tornaria “em vão” os resultados da Operação Epic Fury. Lindsey Graham, aliado de Trump, também se opôs, dizendo: “Isso nos faz pensar por que a guerra começou”.
Trump rebateu as críticas em sua rede Truth Social: “Se eu fizer um acordo com o Irã, será bom e adequado”.
Obstáculos e incertezas
Relatos da imprensa norte-americana indicam que pontos sensíveis, como o alívio das sanções e a liberação de fundos iranianos congelados, ainda não foram resolvidos. Além disso, a inteligência dos EUA acredita que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, encontra-se escondido após ter sido ferido em ataque israelense, o que dificulta a comunicação e atrasa as negociações.
Mesmo que um acordo seja anunciado, especialistas alertam que os efeitos não seriam imediatos. Lars Jensen, executivo da Vespucci Maritime, afirmou que o setor de transporte marítimo permanecerá “cauteloso e hesitante” antes de realizar “grandes mudanças operacionais”.
Contexto do conflito
Os confrontos se intensificaram após ataques dos EUA e Israel contra o Irã em fevereiro, seguidos pela resposta iraniana com o fechamento do Estreito de Ormuz. Desde então, os preços do petróleo dispararam globalmente. Trump mantém bloqueio aos portos iranianos, afirmando que só será suspenso quando houver acordo “certificado e assinado”.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou à TV estatal que o país está pronto “para garantir ao mundo que não estamos atrás de uma arma nuclear”.
(Com BBC News)




