As eleições presidenciais de 2026 transcorrem em um contexto de intensos registros climáticos no Brasil e em outras regiões do planeta
Apesar das enchentes e dos ciclones que atingiram o Sul e o Sudeste do país, além do risco de uma nova seca extrema no Norte, o meio ambiente ocupa espaço reduzido na campanha eleitoral. A comparação dos programas apresentados pelos seis principais candidatos à Presidência da República revela uma assimetria relevante: Luiz Inácio Lula da Silva, atual mandatário e candidato do PT, é o único que apresenta uma proposta climática com maior nível de detalhamento.
Desastres climáticos pressionam o debate público
O ano eleitoral é marcado por eventos extremos que evidenciam a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção de desastres, à adaptação de infraestruturas e à redução das emissões de gases de efeito estufa. No Brasil, as ocorrências no Sul e no Sudeste reforçam a exposição de áreas urbanas e rurais a chuvas intensas, enquanto o Norte enfrenta a ameaça de condições de seca capazes de afetar comunidades, atividades produtivas e ecossistemas. A combinação desses fenômenos amplia a urgência de uma agenda ambiental estruturada e contínua.
O cenário internacional também registra temperaturas elevadas no Hemisfério Norte e desastres de grandes proporções, como enchentes no Nepal e no Tibete. Esses episódios compõem um quadro global de crescente instabilidade climática e demonstram que os impactos não se restringem a regiões específicas. Para governos e sociedades, o desafio envolve reduzir vulnerabilidades, melhorar sistemas de alerta e integrar políticas de desenvolvimento a estratégias de mitigação e adaptação.
Programas apresentam diferenças na abordagem climática
Entre os candidatos, Lula é o único a formular uma proposta ambiental compatível, em extensão e especificidade, com a magnitude dos riscos descritos. Os demais concorrentes — Flávio Bolsonaro, do PL; Augusto Cury, do Avante; Renan Santos, do Missão; Ronaldo Caiado, do PSD; e Romeu Zema, do Novo — abordam a questão de maneira vaga ou periférica. Os programas não detalham sufficiently metas para a redução de emissões de gases de efeito estufa, mecanismo de acompanhamento ou prioridades capazes de orientar a política climática nos próximos anos.
A ausência de objetivos mensuráveis limita a capacidade dos eleitores de comparar propostas e avaliar a consistência de cada projeto de governo. A política ambiental exige planejamento de longo prazo, articulação entre União, estados e municípios, além de continuidade administrativa. Sem diretrizes claras, medidas emergenciais diante de secas, inundações e outros eventos extremos tendem a prevalecer sobre ações preventivas e estruturais.
Agenda ambiental deve ultrapassar o ciclo eleitoral
A redução da presença do meio ambiente na campanha contrasta com a centralidade do tema para a segurança hídrica, a produção agrícola, a saúde pública e a proteção de comunidades expostas a desastres. A formulação de políticas climáticas não depende apenas de compromissos declaratórios, mas de instrumentos concretos, financiamento adequado e monitoramento permanente dos resultados.
Com as urnas se aproximando, o contraste entre a gravidade dos eventos climáticos e o tratamento dispensado ao tema pelos candidatos torna-se um elemento relevante para a avaliação eleitoral. O próximo governo terá de responder a riscos ambientais crescentes, conciliar desenvolvimento econômico e preservação e definir estratégias capazes de enfrentar crises cada vez mais frequentes e intensas.




