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Mabel institui Rede de Proteção à Mulher e amplia atendimento a vítimas de violência em Goiânia

João
6 de maio de 2026 às 15:07
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Mabel institui Rede de Proteção à Mulher e amplia atendimento a vítimas de violência em Goiânia

Fotos: Alex Malheiros

Nova estrutura integra serviços públicos e busca garantir acolhimento contínuo, humanizado e mais eficaz

 

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, assinou nesta quarta-feira (6), no Paço Municipal, o documento que cria a Rede de Proteção à Mulher na capital. A medida também institui oficialmente a Rede de Atenção a Pessoas em Situação de Violência, com foco na integração de serviços e na oferta de atendimento contínuo e humanizado às vítimas.

Segundo a administração municipal, a iniciativa pretende reduzir a revitimização e tornar mais ágil o encaminhamento de casos dentro da rede pública.

“Goiânia será referência para o Brasil. Estamos integrando todos os serviços municipais e também os atendimentos do Estado e da União, criando uma rede de proteção às vítimas, com atendimento imediato, humanizado e articulado. O nosso objetivo é garantir acolhimento completo, passando pela denúncia, proteção, abrigo, alimentação, acompanhamento psicológico e prevenção, especialmente diante do aumento da violência contra mulheres”, detalhou Mabel.

Especialistas destacam avanço institucional

A consultora do Ministério da Saúde e especialista em políticas de saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Cheila Marina de Lima, ressaltou o caráter histórico da medida ao destacar a institucionalização da rede após mais de duas décadas. “Não é qualquer gestor que faz isso”, afirmou.

Para a promotora de Justiça Carla Brant, coordenadora do Grupo de Atuação Especial na Proteção da Mulher (Gaemulher), o momento representa um avanço significativo. “O Ministério Público parabeniza o engajamento de todos nessa luta. Goiânia será referência”, assinalou.

Dados reforçam necessidade de atuação integrada

Durante a solenidade, foram apresentados dados sobre a violência contra a mulher na capital. Em 2025, entre janeiro e outubro, foram registrados 2.888 casos. Já em março de 2026, houve 965 ocorrências.

Os números também apontam para a gravidade dos casos: metade das mortes de mulheres por violência ocorreu até 32 dias após a notificação, enquanto 25% aconteceram até três dias depois. Por outro lado, mulheres que receberam encaminhamento adequado dentro da rede de proteção tiveram redução de 64% no risco de morte por feminicídio.

Saúde amplia acolhimento com Consultórios Lilás

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, todas as unidades de urgência da capital passarão a contar com o chamado Consultório Lilás, espaço voltado ao acolhimento de mulheres em situação de violência.

“A principal importância do momento é a articulação em rede. Muitas vezes a gente acompanhava a paciente, mas não sabia do caráter social dela, assim como a área social não conhecia os déficits de saúde. A partir do momento em que temos um comitê que vai acompanhar em conjunto, a ideia é que essa mulher consiga ser atendida em todas as suas necessidades”, frisou.

Rede atenderá diferentes públicos em situação de vulnerabilidade

A Rede de Atenção a Pessoas em Situação de Violência terá atuação ampliada, contemplando mulheres, crianças e adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, população LGBTQIAPN+, povos originários, migrantes e pessoas em situação de rua.

A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), Erizania de Freitas, explicou que a proposta é envolver todos os órgãos ligados às políticas públicas do setor. “Para que a gente estude caso a caso e possa propor avanços”, disse.

A juíza Hanna Lídia Rodrigues, titular do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da comarca de Goiânia, destacou os desafios da implementação. “O trabalho começou agora e é árduo. Cada segmento de vulnerabilidade necessita de atenção e escuta especial, além de serviços públicos em áreas diversas”, afirmou.

Atuação envolverá diversos órgãos e políticas públicas:

Observatório da Mulher (UFG), a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), Polícia Penal do Estado de Goiás (PPGGO), Instituto Médico Legal (IML/Sala Lilás), Ordem dos Advogados do Estado de Goiás (OAB-GO), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAEM), Núcleo Especializado de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher (Nudem), Patrulha Mulher Mais Segura (GCM), Batalhão Maria da Penha (PMGO), Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (Semasdh), Corpo de Bombeiros do Estado de Goiás (CBMGO), Centro de Referência e Assistência Social (Cras), Polícia Científica do Estado de Goiás (PCIGO), Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (SEDS), Câmara Municipal de Goiânia, Conselho Estadual da Mulher (Conem) e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Goiânia (CMDM)

A rede funcionará de forma intersetorial, reunindo áreas como saúde, assistência social, educação, direitos humanos, Conselho Tutelar, Ministério Público, Tribunal de Justiça e forças de segurança pública.

Além do atendimento direto às vítimas, o modelo também prevê ações de prevenção, monitoramento de casos, produção de dados e apoio à formulação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência.

Participaram do evento, entre outras autoridades, a comandante da Patrulha Mulher Mais Segura, Luiza Sol; presidente do Conselho Municipal de Direito das Mulheres, Zilene de Paula; Conselheiro tutelar da Região leste, James da Silva; secretários municipais Adonídio Neto (Sedicas), Sabrina Garcez (Governo), Jarbas Rodrigues (Comunicação), Daniele Gomes (Articulação Institucional e Captação), Fernando Peternella (Eficiência); presidentes Gardene Fernandes (Imas) e Zilma Peixoto (AMMA) e o controlador-geral Juliano Bezerra.

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